O episódio 18 de Kamen Rider Zeztz marca uma virada importante ao tirar Baku da relativa zona de conforto e colocá-lo sob uma nova hierarquia. Logo no início, a troca de comando deixa claro que as coisas não serão mais conduzidas do mesmo jeito. O Agente 3 assume o posto de Zero e estabelece sua autoridade de forma imediata, fria e violenta. A cena não serve apenas para apresentar um novo superior, mas para reforçar o quanto o sistema da CODE parece ser mais autoritário do que parecia.
Sem qualquer transição suave, Baku é lançado em mais um sonho, agora como presidente de classe de um colégio, cercado por rostos familiares. Nasuka e Kureha surgem como peças centrais, enquanto a presença de Nem adiciona um desconforto silencioso ao cenário. O episódio brinca com a falsa sensação de normalidade apenas para rapidamente destruí-la quando um Nightmare transforma o ambiente escolar em um jogo de morte explícito, cruel e perversamente teatral.


O conceito do “death game” é simples, mas eficiente dentro da linha condutora do roteiro. Os estudantes recebem armas inúteis ou simbólicas, sendo empurrados para uma lógica de sobrevivência impossível. Nesse caos, Baku assume naturalmente o papel de protetor, tentando salvar a todos, mesmo quando isso parece condenado ao fracasso. Essa insistência em defender, mais do que atacar, volta a ser questionada ao longo do episódio, principalmente quando Nox entra em cena para provocar e expor as limitações dessa postura.
O verdadeiro ponto de virada, no entanto, está em Kureha. O episódio constrói deliberadamente a ideia de que Nasuka é o centro do pesadelo, apenas para subverter essa expectativa. Ainda assim, de forma relativamente rápida, torna-se perceptível que ela não era a sonhadora. Quando Kureha chama Baku por seu codinome, o episódio deixa claro que há algo muito mais profundo em jogo. A revelação de que ela também possui ligação com a CODE conecta passado e presente de maneira elegante, ampliando o mistério em torno do passado dos personagens e da seleção de agentes e da manipulação de memórias.


O confronto físico funciona mais como um choque de ideias do que como uma batalha tradicional. Mesmo diante de monstros e Riders, o episódio se sustenta no peso emocional das escolhas, dos arrependimentos e daquilo que foi apagado. Nox, mais uma vez, se destaca como uma figura ambígua, menos interessada em vitória imediata e mais focada em forçar Baku a encarar verdades desconfortáveis sobre a organização que o moldou.
Visualmente, o episódio mantém o padrão da série, mas com o “pé no freio”, adotando uma direção que sabe quando ser caótica e quando desacelerar para permitir que as revelações respirem. O uso do ambiente escolar como palco de horror funciona muito bem, e o Nightmare desta semana é genuinamente perturbador e, mais do que isso, de certa forma participativo no desenvolvimento da história.


No fim, não há uma conclusão definitiva de quase nada, além da confirmação de quem é a sonhadora e do fato de que ela pertenceu à CODE e já conhecia Baku por seu codinome, indicando uma ligação entre os dois que pode ir além da infância. Ainda assim, algo mais interessante acontece aqui: o tabuleiro foi ampliado. Surgem novos agentes, alianças incertas, memórias apagadas e uma CODE cada vez mais suspeita. Ao posicionar Kureha como alguém que pode ser tanto aliada quanto antagonista, a série adiciona uma camada de imprevisibilidade que faz falta a muitas produções do gênero.
Kamen Rider Zeztz prova mais uma vez que não está interessado apenas em monstros ou formas semanais, nem em se prender a uma única linha narrativa sobre o inconsciente humano mediado pelos sonhos. A série aposta na construção de um drama contínuo, psicológico e moralmente complexo.
Se a proposta é vender brinquedos, que seja com uma boa história.
Nota: 8/10

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