O cineasta Eric McEver concedeu uma entrevista ao site Kaiju United, na qual aprofundou detalhes sobre o processo criativo de Iké Boys (2021), além de compartilhar reflexões sobre cinema, cultura e conexões humanas ao longo de sua trajetória.
Durante a conversa, McEver destacou que o filme nasce de uma motivação íntima, ao revisitar sua adolescência e sua relação com a cultura japonesa. Ambientado no fim dos anos 1990, Iké Boys acompanha jovens que encontram no tokusatsu e no anime uma forma de escapar das frustrações do cotidiano, até serem levados a uma jornada fantástica. Ainda assim, o diretor enfatiza o caráter emocional da obra. “No fim das contas, é um filme sobre encontrar a si mesmo. Sobre ser quem você é”, afirmou.

Ao falar sobre suas influências, o cineasta citou Fantasia (1940), American Graffiti (1973) e Godzilla vs. SpaceGodzilla (ゴジラVSスペースゴジラ, 1994), destacando o impacto de narrativas sobre amadurecimento. Ele também relembrou como o contato, ainda na infância, com produções de Godzilla despertou seu interesse não apenas por monstros gigantes, mas por outras culturas. “Aquilo me fez perceber que existia um mundo muito maior lá fora”, comentou.
Outro ponto abordado foi a ambientação em Oklahoma, onde cresceu. Segundo McEver, viver em uma região frequentemente vista como periférica contribuiu para o desejo de criar algo significativo. A sensação de invisibilidade na infância influenciou diretamente sua visão artística e o tom do filme.


A participação da atriz Yumiko Shaku, conhecida por Godzilla x Mechagodzilla (ゴジラ×メカゴジラ, 2002), também foi destacada. O diretor revelou que a colaboração evoluiu para uma amizade próxima durante a produção.
McEver também ressaltou o caráter colaborativo do projeto, que reuniu profissionais de diferentes países, incluindo veteranos do tokusatsu. Para ele, o filme é resultado direto das relações construídas ao longo dos anos.
Ao refletir sobre o fascínio por histórias de kaiju e mecha, o diretor afirmou que esses elementos dialogam com mitologias antigas e funcionam como “mitos modernos”, abordando temas universais como bem, mal e o caos do mundo.
Por fim, destacou o poder do cinema como ferramenta de conexão entre pessoas de diferentes origens. “Esses filmes têm o poder de aproximar pessoas. Criam laços que atravessam culturas, lugares e até o tempo”, concluiu.
A entrevista completa, em inglês, pode ser conferida no site do Kaiju United.
Fonte: Kaiju United
Confira nossa resenha em áudio sobre o filme:

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