Esqueça os calções escarlates, as botas de borracha e as acrobacias circenses. A DC Comics revelou o novo visual dos Robins para o Absolute Universe, e o resultado parece ter saído diretamente de um episódio de Super Sentai com orçamento corporativo: armaduras pesadas, motocicletas personalizadas e um esquema de cores individuais vermelho, verde, amarelo e azul que dispensam qualquer apresentação para quem acompanha o gênero tokusatsu.
As imagens foram divulgadas em publicações futuras de Absolute Batman, série roteirizada por Scott Snyder com arte de Nick Dragotta. A dupla, responsável por algumas das histórias mais aclamadas do Batman nos últimos quinze anos, decidiu, desta vez, abandonar completamente a gramática visual clássica dos sidekicks do Homem-Morcego em favor de uma estética fortemente ancorada na cultura pop japonesa, com referências diretas a animes, mangás e tokusatsu, que vão do Super Sentai aos robôs gigantes da franquia Gundam.


Os designs apresentam os personagens operando power suits de aparência militar que se transformam em motocicletas com identidade cromática individual, linguagem visual que lembra heróis de Super Sentai, franquia japonesa que originou Power Rangers no Ocidente. A influência, no entanto, não se limita ao Sentai. O acabamento metálico e a sofisticação tecnológica dos trajes que evocam franquia Metal Heroes, iniciada em 1982 com Policial do Espaço Gavan (宇宙刑事ギャバン, 1982). No espectro mais pesado, o armamento colossal e o escopo quase bélico das armaduras dialogam com a ficção científica militar de Warhammer 40k e com a escala épica dos mechas da série Gundam.
Apesar da transformação radical na aparência, as identidades civis que habitam as armaduras permanecem familiares aos leitores da bat-família. Confirmados pelas capas variantes divulgadas, os cinco membros do esquadrão são Dick Grayson, Jason Todd, Tim Drake, Stephanie Brown e Duke Thomas, nomes que carregam décadas de história nas páginas da DC Comics. A diferença está no que fazem com essas histórias nesta versão: no Absolute Universe, nenhum deles responde a Bruce Wayne.


O ponto de ruptura narrativa mais brutal desta versão não é estético. É político. O esquadrão mecanizado é financiado, equipado e liderado por Jack Grimm, a encarnação do Coringa nesta realidade. Após um evento trágico não especificado em Gotham, os cinco Robins entram em cena como caçadores altamente militarizados com um único propósito: opor-se ao Batman. São, a rigor, os antagonistas da série.
Para compreender como o Coringa chegou a ter recursos para montar um esquadrão com estética próxima ao tokusatsu, é preciso entender o princípio estrutural que rege todo o Absolute Universe. A nova linha editorial da DC Comics foi construída sobre uma premissa deliberadamente desconfortável: retirar dos heróis os recursos que, no universo regular, tornam suas vitórias quase inevitáveis.
O Bruce Wayne desta continuidade não é um herdeiro bilionário. Ele é um cidadão de classe trabalhadora, atuando como engenheiro civil e operário, sem acesso a fortunas, mansões ou gadgets de alta tecnologia. Em resposta a essa limitação, este Batman desenvolveu um porte físico colossal e brutal, combatendo o crime com força extrema e ferramentas brutas e adaptadas.


Fonte: Bleeding Cool

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