O vigésimo episódio de Super Policial Gavan Infinity, Por Causa do Amor (Because of Love), foi claramente pensado como porta de entrada para o arco final, mas acaba simbolizando bem o principal dilema da série: ela sabe construir boas ideias e criar tensão, porém resolve seus conflitos rápido demais justamente quando mais precisava desenvolvê-los. De um lado, a trama principal se expande com a revelação de que vários vilões capturados ao longo da temporada estão escapando em diferentes universos, todos ligados ao culto de Aza Zorth. Do outro, em Ι5109, a história continua diretamente o drama do episódio anterior, com Kiki sem as lembranças de Koto, enquanto esta tenta carregar sozinha o peso de ser a nova Gavan Luminous e, ao mesmo tempo, ocupar o lugar da amiga aos olhos de todos.
Essa base dramática é forte. A abertura já deixa claro como Koto tenta assumir as responsabilidades de Kiki, mas sem conseguir esconder a dor de ser a única que ainda se lembra de tudo. O reencontro com Reiji e Fade ajuda a ampliar esse peso emocional. Fade traz a perspectiva de quem convive diariamente com alguém que sofre de perda de memória, enquanto Reiji reforça o quanto enxerga as duas como irmãs mais novas e promete buscar a entidade responsável por escolher os Gavans para tentar restaurar as lembranças de Kiki. O episódio também transmite bem a sensação de vazio quando Koto percebe que a população parece aceitar qualquer Gavan, como se Kiki jamais tivesse existido.


É com a chegada de Aza Zorth que a série realmente amplia seu escopo. A revelação de que existe uma entidade ligada ao Nega Emorgy, cultuada por agentes infiltrados em diferentes divisões da polícia, inclusive influenciando decisões como a suspensão da caçada a Death Gavan, finalmente apresenta um antagonista conceitual à altura do que vinha sendo sugerido. Reiji é levado ao Espaço Makku, onde enfrenta Mikage, Karasumaro, Rurugie e um fragmento de Aza Zorth, sendo colocado diante de um dilema interessante: aceitar o poder dessa entidade para salvar Kiki sem machucar ninguém ou rejeitar uma solução aparentemente fácil.
O problema é que tudo acontece rápido demais. O episódio parece preocupado em marcar várias etapas da história ao mesmo tempo, apresentando um novo vilão cósmico, expandindo a mitologia e oferecendo um grande dilema moral, mas sem permitir que nenhuma dessas ideias respire. Isso pesa especialmente na resolução do arco de Kiki. Depois de um episódio anterior extremamente doloroso, com o sacrifício de Koto e um desfecho devastador, a perda de memória é resolvida em apenas um capítulo por meio da onda de Nega Emorgy gerada por Reiji e revertida pelo Emotional Burst. A cena de Kiki recuperando as lembranças, chamando Koto pelo nome e abraçando a amiga é emocionante, mas o caminho até esse momento é excessivamente apressado. O trauma mal tem tempo de amadurecer antes de ser solucionado.


A batalha paralela no Espaço Makku, envolvendo os cultistas e Aza Zorth, também transmite a sensação de existir mais por obrigação de formato do que por necessidade dramática. Ainda assim, o episódio apresenta bons momentos, especialmente no desconforto vivido por Koto, na relação entre ela e Reiji, na ameaça representada por Aza Zorth e na disposição de Reiji em colocar sua mente e seu corpo em risco para salvar Kiki. O episódio estabelece uma base promissora para a reta final, mas acelera justamente os conflitos que mereciam mais tempo para evoluir. Em vez de explorar por alguns capítulos o verdadeiro custo do amor e do sacrifício para esses personagens, a série recorre novamente a uma solução rápida, diminuindo o impacto de um dos momentos mais fortes da temporada.
Nota: 5/10

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