No último dia do Anime Friends 2026, domingo, 5 de julho, o site Tokusatsu.com.br comandou um painel dedicado a um dos temas mais comentados deste ano. Giuzão Chagas, Adriano Naressi e Danny Tsurugi reuniram-se para um debate sobre o encerramento da franquia Super Sentai, que durou praticamente 50 anos sem interrupções, desde a sua criação, em 1975, até entrar em hiato no início de 2026.
A conversa abordou a trajetória histórica da série, os motivos que levaram ao seu fim e os novos caminhos que a Toei e a Bandai devem seguir. O trio lembrou que não foi a primeira vez que a franquia esteve ameaçada, já que, no fim dos anos 1980, a queda na audiência e na venda de brinquedos quase encerrou as produções. A salvação veio no início dos anos 1990, com a venda dos direitos para a empresa americana Saban, responsável pela adaptação de Power Rangers no Ocidente.
Ambos contextualizaram a importância da marca, explicando sua ligação com o Ocidente. “Todo mundo conhece Power Rangers. Antes de virarem Power Rangers, as séries eram Super Sentai“, lembrou. Criada pela Toei em 1975, com dezenas de temporadas exibidas na TV Asahi, a franquia foi fundamental para o tokusatsu de forma mundial. A partir de 1993, a parceria com a Saban adaptou esse formato nos Estados Unidos, transformando-o em um fenômeno global.


O trio destacou que a principal força de Super Sentai sempre foi a venda de brinquedos da Bandai, funcionando como uma grande vitrine para a fabricante. Com a queda na audiência e no faturamento dos brinquedos, a continuidade da franquia encontrou dificuldades. Entre os principais motivos apontados para o encerramento estão a queda na natalidade japonesa, a mudança da exibição de sábado à noite para sexta-feira à tarde, reduzindo o alcance da audiência, a disputa direta com a explosão de novos animes e videogames e o impacto do streaming, já que a própria Toei disponibilizou todo o catálogo antigo em plataformas digitais, criando concorrência com as produções inéditas.
Outro ponto discutido foi a dependência do mercado ocidental. O acordo com os Estados Unidos salvou a franquia nos anos 1990, mas tornou-se um obstáculo após várias mudanças de detentores dos direitos, que passaram por Saban, Disney e, finalmente, Hasbro. Além disso, a fórmula de heróis coloridos com robôs gigantes ficou fortemente associada à marca Power Rangers no imaginário ocidental, levando a Toei a encerrar Super Sentai para criar uma nova franquia do zero, livre das amarras contratuais e dos direitos detidos pela Hasbro.
Em vez de um fim definitivo, o painel explicou que o momento é de um hiato estimado em 10 anos pela Toei. Durante esse período, a marca continuará viva por meio do lançamento de filmes, especiais e produtos relacionados. Para ocupar o horário na programação, também foi comentado o Project R.E.D., nova franquia que resgata o espírito de Metal Hero e muda a estratégia de produção ao adotar o formato de “meia temporada”, com cerca de seis meses de duração. Esse sistema, já utilizado com sucesso pela Tsuburaya, permite testar a aceitação do público e realizar ajustes rápidos.


O público fez perguntas e contribuiu para o debate. Giuzão, Naressi e Danny comentaram as mudanças no Brasil, como a proibição de comerciais de brinquedos na TV aberta, e explicaram por que o Japão demorou para perceber o potencial do mercado brasileiro, que agora, graças à internet, ao trabalho da Sato Company e a eventos como o Anime Friends, vem conquistando avanços importantes, como os simuldubs de Kamen Rider, exibições quase simultâneas e a vinda do show ao vivo de Ultraman.
Sobre a renovação do público, foi lembrado que, no Brasil, a maioria dos fãs é formada por pessoas que cresceram nas décadas de 1980 e 1990 e transmitem esse interesse para filhos e netos. As exibições oficiais e os eventos ajudam a ampliar esse ciclo.
Os três concordaram que o desgaste natural de uma franquia com quase 50 anos existe, mas ressaltaram que o principal problema foi a dificuldade de explorar o mercado fora do Japão e da Ásia. Produtoras como a Tsuburaya demonstram sucesso ao globalizar suas produções, principalmente na China, e a Toei começa a seguir esse caminho.
Para os fãs brasileiros, o fim de Super Sentai abre espaço para novas produções oficiais, mantendo esta parte improtante do gênero tokusatsu vivo no país.
Confira o painel na integra:

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