O décimo nono episódio de Super Policial Gavan Infinity, Koto e Kiki (Koto and Kiki), é o tipo de capítulo que lembra por que o núcleo de Ι5109 é o coração emocional da série. Quando a história se concentra em Kiki e Koto, o tom muda: o ritmo continua leve, cheio de pequenos momentos cotidianos, mas o peso dramático nunca está muito distante. O caso inicial, envolvendo um aluno que faz o diretor de refém apenas para chamar a atenção da Gavan Luminous, é resolvido rapidamente e sem grande tensão, funcionando quase como uma isca narrativa. A verdadeira facada vem depois, quando surge a figura realmente perigosa: uma professora amargurada que envenena Kiki e decide matá-la, projetando na ex-aluna o ressentimento que carrega há anos.
É aí que o episódio mostra por que “o amor é o mais forte” não é apenas um slogan de encerramento. O vínculo entre Kiki e Koto, construído desde o ensino médio, chega aqui ao seu ápice: duas pessoas dispostas a sacrificar absolutamente tudo uma pela outra. A maneira como o roteiro retoma a amizade, o pseudo-romance e as promessas de apoio “para sempre”, transformando tudo isso em uma decisão concreta, com Koto se oferecendo para perder suas memórias em troca da vida de Kiki, dá ao episódio uma densidade que falta em boa parte dos capítulos mais focados em ação ou lore. Mesmo com o caso da professora sendo resolvido de maneira relativamente simples, o que permanece é o gesto de Koto, sua escolha radical e o preço emocional envolvido.


Em paralelo, a trama principal finalmente volta a avançar com força. Reiji tenta chegar a Ι5109, mas é interceptado por Death Gavan no Espaço Makku, o que cria uma montagem muito eficiente: de um lado, a batalha cósmica com Emons gigantes, Gavarions se combinando e o ACE-GO sendo levado ao limite; do outro, Koto sozinha em um telhado, lutando tanto contra os Emons quanto contra o tempo de vida restante de Kiki. A entrada de Raiya para socorrer a equipe de Infinity mantém vivo o arco principal sem roubar o protagonismo emocional da dupla forense. É um equilíbrio raro na temporada: o episódio dialoga com a trama central sem deixar de ser, acima de tudo, uma história sobre Kiki e Koto.
A transformação de Koto em Gavan Luminous é o grande momento de catarse. Visualmente, a sequência é satisfatória; conceitualmente, ainda mais. Ter oficialmente uma Gavan brasileira (a atriz Lana Tanida é nipo-brasileira, nascida de mãe japonesa e pai brasileiro lá no Japão) já é algo simbolicamente forte, mas o roteiro vai além e diferencia claramente sua linguagem corporal da de Kiki usando a armadura, reforçando quem está sob o capacete, mesmo quando o traje é o mesmo. A conversa no além, com o Supremo explicando o custo de haver dois Gavans na mesma Terra e exigindo um preço em memórias, poderia soar puramente expositiva em outro contexto. Aqui, no entanto, funciona porque amarra perfeitamente o tema do episódio: ser um Gavan não é apenas uma questão de poder, mas também de renúncia.


Então vem o golpe final: a revelação de que quem perdeu as memórias não foi Koto, mas Kiki. Tudo o que parecia estar voltando ao normal dentro da ambulância se transforma, em questão de segundos, em uma tragédia íntima. A cena de Koto percebendo isso, saindo da ambulância, retornando ao pátio onde as duas dançavam na escola e, por fim, desabando sob a chuva, é uma das mais fortes de toda a série. A montagem com lembranças de casos anteriores enfatiza exatamente o que foi perdido: não apenas memórias de missões, mas toda uma história de vida compartilhada. O episódio termina em um ponto de dor pura, mas extremamente bem construído, uma montanha-russa de alegria, desespero, esperança e luto emocional que confirma aquilo que a temporada vem dizendo desde o início: Kiki e Koto são, de fato, o coração de Super Policial Gavan Infinity.
Nota: 9/10

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