O episódio 19 aprofunda de forma decisiva os conflitos centrais da série ao colocar seus personagens diante de verdades incômodas sobre identidade, escolha e manipulação. Sem recorrer a grandes reviravoltas visuais, o capítulo se sustenta no peso emocional das revelações e nas consequências que elas provocam.
A trama avança a partir da história de Kureha, que revela ter sido treinada pela CODE ainda jovem e posteriormente descartada após uma missão fracassada, com suas memórias apagadas. O pesadelo atual funciona como um gatilho que traz à tona esse passado, forçando-a a reviver perdas e questionar o sentido de tudo o que viveu. A série trata esse retorno de memórias de forma contida, mas eficiente, deixando claro o impacto psicológico desse tipo de controle.


Em paralelo, Baku começa a encarar algo ainda mais perturbador: a possibilidade de que seus sonhos, seus desejos e até sua vocação como agente não sejam genuínos, mas resultado de condicionamento imposto pela própria organização que ele serve. O diálogo com Kureha e, mais tarde, com a misteriosa terapeuta Sayuri Ando, funciona como um ponto de virada silencioso. Não há respostas fáceis, apenas a constatação de que ele precisa decidir quem quer ser a partir de agora.
O episódio também dá um passo importante no arco de Nem, ao revelar que os Nightmares podem ter origem em seu próprio subconsciente. A culpa que isso desperta nela é tratada com sensibilidade, especialmente na conversa com Baku, que reforça um dos temas mais fortes da série: mesmo que o passado seja turvo ou imposto, as escolhas feitas no presente ainda têm valor.


No campo da ação, o confronto contra o Nightmare não busca exageros, mas cumpre bem seu papel narrativo. A transformação de Baku e sua decisão de lutar não em nome da CODE, mas para impedir o sofrimento alheio, dão novo significado ao seu papel como Rider. A participação de Nox adiciona tensão moral ao episódio, deixando claro que ele não é um vilão simples, mas alguém movido por ressentimento e objetivos próprios, mesmo que isso custe vidas.
O desfecho amarra bem os arcos apresentados. Kureha decide retornar à CODE como Agente 6, não por lealdade cega, mas por compreender que não pode simplesmente ignorar as memórias que agora carrega e, claro, pela inspiração heroica do protagonista. A entrega do Driver pelo Agente 3 encerra o episódio com um tom agridoce, reforçando que nenhuma escolha ali é totalmente limpa ou confortável.


No geral, o episódio 19 se destaca por equilibrar revelações importantes com um desenvolvimento emocional consistente. Ele não resolve todos os mistérios, mas expande o universo da série e fortalece seus personagens, deixando claro que Kamen Rider Zeztz está mais interessado em explorar as consequências humanas da narrativa do que apenas avançar a trama por meio de choque ou espetáculo.
O episódio também evita um problema comum da franquia: fazer com que armas, vestimentas ou itens de batalha se tornem os verdadeiros protagonistas apenas para impulsionar a venda de brinquedos. Aqui, esses elementos existem, mas não dominam a história.
Parece que a Toei relembrou que, para vender brinquedos, é muito mais eficaz investir em uma boa história, um roteiro sólido, bons atores e uma direção competente do que depender apenas de formas visuais chamativas e armas fictícias atraentes.
Nota: 8/10

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