Reviews, Artigos

Review: Episódio 26 de ‘Kamen Rider Zeztz’ conecta o passado e quebra o futuro previsto

Publicidade

O episódio 26 de Kamen Rider Zeztz segue diretamente a proposta estabelecida no capítulo anterior e funciona como um momento de consolidação dessa nova fase da série. Se o episódio 25 reposiciona a narrativa e redefine o papel de Baku, aqui vemos a história organizando suas peças e preparando o terreno para os conflitos que realmente importam daqui para frente. Não é um simples episódio de recapitulação ou apenas uma pausa. Ele existe para alinhar informações, dar contexto aos personagens e reforçar que tudo mudou.

A construção do episódio gira em torno de uma ideia simples, mas extremamente eficiente dentro da proposta da série. Baku leva Nem até um teatro no mundo dos sonhos e utiliza um Capsem para transformar o local em uma espécie de sala de exibição. A partir dali, ele transmite tudo diretamente para o centro de comando, permitindo que Minami, Fujimi e Nasuka acompanhem os acontecimentos que ele viveu em seu sonho premonitório. Essa escolha narrativa transforma o episódio em uma recapitulação, mas de forma orgânica, integrada à trama e com peso real para os personagens.

O que poderia ser apenas um resumo se torna um momento essencial de revelação. Baku não está apenas recontando eventos, ele está compartilhando informações que ninguém mais possui. Ao longo dessa apresentação, ele começa a expor verdades que mudam completamente a percepção dos outros personagens. A primeira grande revelação atinge Fujimi, quando Baku afirma que o parceiro que ele procurou por tanto tempo era, na verdade, um ex-agente de CODE que se tornou traidor. Esse parceiro é Nox, que observa tudo do alto do teatro, ciente de que está sendo exposto.

A situação se intensifica quando Baku explica que Nox passou a guiar os Nightmares como parte de sua vingança contra CODE. Para Nasuka, o impacto vem logo em seguida, quando ela descobre que Kureha também é uma agente, assim como o Agente 5, e que ambos foram responsáveis por enfrentar Nox no futuro visto por Baku. O peso dessa revelação aumenta ainda mais quando ele afirma que esse confronto termina com a morte deles e, posteriormente, com o próprio Baku matando Nox.

As reações são caóticas e extremamente coerentes com o que está sendo apresentado. Minami não consegue processar a quantidade de informação que recebe de uma vez. Fujimi reage de forma impulsiva e tenta prender Baku, ignorando o fato de que tudo aquilo aconteceu apenas em um possível futuro e de que Nox agiu mais como um criminoso, que também matou, do que um justiceiro. É Nasuka quem traz a situação de volta ao controle, interrompendo a tentativa e reforçando o absurdo de julgar alguém por algo que ainda não aconteceu. Esse momento ajuda a equilibrar o tom do episódio, trazendo um pouco de leveza em meio a tantas revelações pesadas.

O episódio ainda reserva uma das revelações mais delicadas para Nem. Baku expõe que a responsável por influenciar as ações de Nox é sua própria mãe, a Madame. No entanto, ele também reconhece que as ações dela não são puramente destrutivas. Existe uma intenção maior por trás disso, ligada à tentativa de proteger Nem ao mesmo tempo em que enfrenta CODE. Esse detalhe adiciona uma camada emocional importante à trama e reforça que os conflitos da série vão muito além de uma simples divisão entre heróis e vilões.

Enquanto tudo isso acontece no mundo dos sonhos, o mundo real também se movimenta. O Agente 3 toma uma decisão direta e envia o Agente 5 e Kureha para recuperar o Zeztz Driver de Baku. A forma como a missão é executada reforça a dinâmica da série, com os agentes entrando no mundo dos sonhos para confrontar o protagonista. Esse cruzamento constante entre os dois mundos continua sendo um dos elementos mais interessantes da narrativa.

Quando o confronto acontece, o episódio mostra mais uma vez o quanto Baku mudou. Ao invés de ser pego de surpresa, ele já esperava esse tipo de abordagem. Quando Kureha tenta atacá-lo, descobrimos que tanto ele quanto Nem eram apenas projeções criadas por um Capsem. Esse detalhe demonstra claramente que Baku não é mais o agente inexperiente do início da série. Ele agora antecipa movimentos, se protege e controla melhor o ambiente ao seu redor.

O combate evolui para um confronto direto, com Baku e Kureha transformados enquanto Nox e o Agente 5 travam sua própria batalha. A situação rapidamente se transforma em um impasse, com todos os lados armados e prontos para agir. A tensão cresce de forma natural, criando a expectativa de um confronto decisivo entre os envolvidos.

É nesse momento que o episódio quebra completamente a lógica estabelecida até então. O cenário muda de forma abrupta, o teatro desaparece e dá lugar a um armazém. Um novo Rider surge e ataca todos os presentes com explosões massivas. A chegada desse personagem muda completamente o rumo da situação, principalmente porque ele não fazia parte do futuro que Baku havia visto.

Esse detalhe é fundamental para entender o impacto do episódio. Até aqui, Baku parecia ter controle sobre os acontecimentos por conhecer o que estava por vir. A introdução desse novo elemento mostra que o futuro já começou a se alterar de maneiras que nem ele consegue prever. Isso quebra a sensação de segurança que poderia existir em torno do protagonista e devolve à narrativa um nível importante de imprevisibilidade.

O episódio 26 de Kamen Rider Zeztz cumpre bem o papel de transição dentro da série. Ele organiza as informações, reposiciona os personagens e prepara o terreno para os conflitos da segunda metade da temporada. Ao mesmo tempo, ele introduz uma nova variável que foge completamente ao controle de Baku, garantindo que a história continue com espaço para surpresas.

Ainda assim, fica uma ressalva importante. A ideia do sonho premonitório continua sendo difícil de aceitar completamente, principalmente pelo fato de Baku ter retornado com Capsems e formas que ele ainda não havia conquistado no início da jornada. É um conceito que pode soar simples demais diante de uma trama que sempre buscou caminhos mais complexos.

Por outro lado, é justamente esse conceito que cria um contraste interessante na narrativa. Antes, acompanhávamos um agente inexperiente, que errava constantemente e aprendia com suas falhas. Agora, vemos um personagem que já sabe demais, que entende o funcionamento do mundo ao seu redor e tenta usar esse conhecimento para mudar o destino.

Essa mudança de dinâmica é o que sustenta o interesse nessa nova fase. E mesmo com as dúvidas sobre a execução do conceito, é inegável que Kamen Rider Zeztz continua encontrando formas criativas de manter sua história envolvente.

Nota: 8/10

Compartilhe
Publicidade

Mais artigos

Review: Episódio 5 de ‘Gavan Infinity’ dá foco em ‘Gavan Bushido’

Review: Confronto contra a Shocker e união dos Riders marcam o episódio 23 de ‘Tojima’

Review: Conflitos emocionais marcam o episódio 6 de ‘Garo: Higashi no Kairo’

Gavan de 1982 e Gavan de 2026: quando um nome vira legado e estratégia

Review: Plano da Shocker e referências à era Showa marcam o episódio 22 de ‘Tojima’

Review: Episódio 25 de ‘Kamen Rider Zeztz’ não reinicia a história, mas aponta para o que realmente está por vir