O oitavo episódio de Kamen Rider My-Th foi, até agora, um dos que mais gostei. Depois da surra que Sora levou de Maou no episódio anterior, eu esperava que ele passasse boa parte do capítulo se recuperando ou simplesmente evitando um novo confronto. Mas a série consegue usar justamente essa derrota para mostrar algo importante sobre o personagem. Sora admite que ficou com medo e que realmente achou que poderia morrer, mas isso não significa que ele vai desistir. Ele simplesmente pensa que, da próxima vez, precisa estar mais preparado para vencer. É uma maneira simples, mas muito boa, de mostrar a determinação do personagem sem transformar o medo em algo que o paralisa.
E a estreia do Fire Frame funciona justamente por causa disso. Sora percebe que Maou conseguiu evoluir um Ride X-Egg usando fogo e pensa que também pode fazer algo parecido. Ele passa a manhã treinando e aparece para ajudar Tatsuomi contra o Inexplicável já com sua nova forma. Gostei porque não foi simplesmente um novo poder que apareceu do nada para resolver a situação. Mesmo sem vermos o treinamento, fica claro que Sora pegou aquilo que aprendeu na derrota e transformou em uma nova possibilidade. E a reação de Tatsuomi, comemorando quando ele consegue virar a luta, mostra o quanto sua visão sobre Sora já mudou.

Para mim, porém, o grande destaque do episódio está justamente em Tatsuomi. Ele começa a perceber que está torcendo por Sora e Yuna, mesmo ainda tendo uma missão dentro da Aliança. Quando vê Sora lutando, fica impressionado com a maneira como ele continua seguindo em frente mesmo depois de ter enfrentado alguém muito mais poderoso. Depois, ao passar um tempo na casa dos dois, Tatsuomi também enxerga algo que talvez não faça parte da realidade que ele conhece: uma relação de confiança, cuidado e companheirismo. A cena da refeição é simples, mas funciona muito bem para mostrar que ele está começando a se envolver emocionalmente com aquelas pessoas e a questionar o lugar que ocupa dentro da Aliança.
Também gostei muito das novas informações sobre Yuna e o My-Th Driver. Finalmente fica mais claro que ela encontrou o Driver ainda criança, guardou o objeto consigo e que foi justamente ela quem, de alguma maneira, permitiu que Sora se transformasse pela primeira vez. Isso reforça bastante aquilo que venho pensando desde os episódios anteriores: Yuna não está simplesmente acompanhando Sora nessa história. Ela possui uma ligação muito mais profunda com o legado de My-Th, mesmo que ainda não saibamos exatamente qual é. E o fato de ela não se lembrar completamente de como tudo começou deixa ainda mais perguntas para a série responder.


A derrota para Maou também continua tendo consequências importantes. Ele poderia simplesmente ter tomado o Driver de Sora, mas decide deixá-lo com ele e ainda manda Tatsuomi ajudá-lo. Isso deixa claro que existe algum motivo para manter Sora como My-Th, e a conversa de Kamuri com Ryuz mostra que eles estão tentando descobrir quem é o traidor que ajudou Sora no passado. Ao mesmo tempo, Tigre começa a demonstrar abertamente que tem dúvidas sobre Kamuri e procura Tatsuomi em segredo. Essa parte me interessa bastante porque mostra que a Aliança não é tão unida quanto parecia. Aos poucos, começam a surgir rachaduras dentro dela.
No fim, acho que o episódio funciona muito mais pelo desenvolvimento dos personagens do que pela ação. Sora sofreu uma derrota pesada, mas não perdeu sua determinação. Yuna mostra cada vez mais a importância que tem para toda essa história, e Tatsuomi começa a questionar de verdade a missão que recebeu. E ainda temos Tigre preparando alguma coisa pelas costas de Kamuri. Para mim, é justamente esse conjunto que faz o episódio funcionar tão bem. A série está construindo aos poucos o vínculo entre Sora e Yuna, enquanto coloca Tatsuomi cada vez mais próximo dos dois e, ao mesmo tempo, começa a desmontar a aparente unidade da Aliança. Estou cada vez mais curioso para descobrir o que realmente aconteceu naquele dia e quem é, de fato, o verdadeiro My-Th.
Nota: 8/10

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