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Review: ‘Kamen Rider Zeztz’ consolida personagens e rompe a falsa segurança no episódio 16

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O episódio 16 de Kamen Rider Zeztz representa um momento de consolidação da série, ao equilibrar avanço narrativo, desenvolvimento emocional e espetáculo visual. A trama se inicia de forma quase etérea, mesmo para os padrões do próprio seriado, utilizando um encontro de fãs da Nem como ponto de partida para aprofundar tanto o mistério de seu desaparecimento quanto os conflitos internos de Baku. O sonho interrompido pelo Nightmare funciona menos como ação imediata e mais como um aviso de que as respostas estão cada vez mais próximas e mais perigosas.

No mundo real, o ritmo desacelera propositalmente para dar espaço às relações. A reaproximação entre Baku, Fujimi e Nasuka pode parecer rápida, mas cumpre bem o papel de reposicionar o grupo como uma equipe funcional novamente. O grande destaque, porém, é Minami, que assume de vez um novo papel na vida do irmão. Sua presença não se limita ao apoio emocional, pois ela influencia decisões, questiona escolhas e traz humanidade às missões. A dinâmica entre os dois se mostra um dos pontos mais fortes do episódio.

A investigação no hospital acrescenta uma camada trágica ao mistério envolvendo a Nem, ao mostrar como seu desaparecimento afetou pessoas comuns. A revelação de que a enfermeira Haru é a sonhadora do episódio surge de forma orgânica, como consequência de culpa, silêncio e trauma não resolvido. É um uso eficaz do conceito de Nightmare, mais psicológico do que espetacular.

No campo da mitologia maior da série, o episódio ganha peso com o reencontro entre Baku e Zero. O diálogo entre os dois vai além de ordens e hierarquia, abordando diretamente a questão da confiança. A decisão de Baku de assumir responsabilidade por suas falhas e exigir transparência da CODE marca uma evolução clara do personagem, que deixa de apenas obedecer para buscar compreender o sistema do qual faz parte.

Essa construção conduz naturalmente ao clímax. A perseguição de moto e o confronto no armazém elevam o nível da ação e reforçam a identidade clássica da franquia, algo que há muito tempo havia se perdido. A entrada de Nox muda completamente o tom da batalha. O que parecia um combate sob controle se transforma em ruptura quando ele revela um novo Driver fora do domínio da CODE. O confronto entre Zero e Nox não é apenas físico, mas simbólico, colocando ordem e controle em choque direto com obsessão e caos.

O desfecho é direto e perturbador. A derrota de Zero, com a extração de seu coração, encerra o episódio de forma dura e quebra qualquer sensação de segurança. Mesmo considerando a natureza artificial de Zero, a cena deixa claro que algo essencial foi perdido, deixando Baku mais isolado em sua busca por respostas.

Ao final, o episódio 16 se destaca por mostrar uma série que novamente parece alinhar todas as suas peças sem sair do que vinha sendo proposto. Personagens, mistério, ação e temas centrais caminham juntos, sem pressa, mas com propósito e coerência. O episódio não entrega todas as respostas, mas demonstra segurança ao conduzir as perguntas certas, tornando o sonho e o pesadelo cada vez mais envolventes em mais um show de produção.

Nota: 9/10

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