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‘Zoku Ultraman’, a continuação perdida que traria o primeiro ‘Ultraman’ de volta

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O título Kaettekita Ultraman (帰ってきたウルトラマン), série lançada em 1971 e conhecida no Brasil como O Regresso de Ultraman, pode soar um tanto enganoso. Para muitos espectadores, é natural imaginar que o Ultraman original, que partiu da Terra ao lado de Zoffy no episódio final da série de 1966, fosse de fato o herói que retornaria. Mas quem “voltou”, na verdade, foi um novo guerreiro Ultra, distinto do original, e que mais tarde receberia o nome oficial de Ultraman Jack. A confusão, no entanto, é compreensível.

A série Kaettekita Ultraman teve origem em um projeto anterior que, de fato, previa o retorno do primeiro Ultraman. Esse plano inicial se chamava Zoku Ultraman (続ウルトラマン), ou Ultraman: Continuação, e chegou a ser registrado oficialmente como título provisório em propostas e documentos de planejamento.

A primeira proposta foi escrita por Masahiro Taguchi e impressa em 28 de abril de 1969, sob o título Série de Monstros de Efeitos Especiais/Continuação de Ultraman (特撮怪獣シリーズ/続ウルトラマン, Tokusatsu Kaiju Series/Zoku Ultraman). Trazia o conceito do retorno do Ultraman original e foi submetida ao produtor Yoji Hashimoto, do Departamento de Cinema da TBS, um entusiasta da franquia e parceiro de Hajime Tsuburaya no desejo de revitalizar a série.

Segundo a revista Ultraman Tokusatsu PERFECT MOOK vol.4: Kaettekita Ultraman, a história de Zoku Ultraman se passaria 30 anos após o final da série original. A Patrulha Científica (SSSP), já extinta, cedia espaço a uma nova realidade em que monstros voltam a emergir, despertados por fenômenos naturais e testes nucleares. Quando um monstro surge no Monte Fuji, as Forças de Autodefesa do Japão tentam reagir, mas sem o conhecimento técnico da extinta SSSP, são facilmente sobrepujadas.

Em meio ao caos, o Capitão Muramatsu (Akiji Kobayashi), agora aposentado, aparece entre a multidão e deseja profundamente o retorno de Ultraman. Atendendo a esse apelo, o herói reaparece, derrota o monstro e parte novamente. Esse retorno heroico marca o renascimento das operações de combate a monstros, resultando na criação da MAT (Monster Attack Team).

A proposta original incluía uma passagem de bastão entre o antigo hospedeiro do Ultraman, Shin Hayata (Susumu Korobe), e um novo protagonista, um jovem chamado Hideki Ban. Nos episódios seguintes do plano inicial, Ban seria salvo por Hayata, que transferiria a ele o papel de hospedeiro de Ultraman. Assim, Ban se fundiria ao herói e assumiria o protagonismo.

Após uma série de revisões, o projeto recebeu o título definitivo de Kaettekita Ultraman, ideia atribuída a Eiji Tsuburaya, que desejava um nome que comunicasse diretamente a noção de “retorno”. A nova versão da proposta transformava Hideki Ban em um jovem que trabalhava em um rancho e era idolatrado por uma garota chamada Kaoru e seu irmão Masayuki. Em meio à nova ameaça dos monstros, Ban se junta secretamente à MAT e enfrenta Astron. Ultraman é derrotado, e Ban passa a treinar arduamente para aprender um golpe final, em um enredo que refletia a tendência de histórias esportivas intensas e dramáticas da época.

A produção da nova série, no entanto, foi adiada até o fim de 1970. Após mudanças na grade da TBS e negociações com patrocinadores, a estreia foi remarcada para 1971, no horário nobre de sexta-feira à noite. Por volta do final de 1970, o roteirista Shozo Uehara foi convidado por Hashimoto e Hajime Tsuburaya para colaborar na produção. Em 13 de janeiro de 1971, Uehara imprimiu o roteiro preparatório do primeiro episódio, intitulado Homem Fênix (不死鳥フェニックスの男,), quase idêntico ao que foi ao ar. A essa altura, o título Kaetekkita Ultraman já havia sido registrado oficialmente, e os roteiros passaram a ser escritos em conjunto por Hashimoto e Uehara. Mais tarde, na versão final do episódio, o título foi alterado para A Primeira Estrela Ilusória (まぼろしの一番星), e depois mudou novamente para o nome atual, Ataque Total dos Monstros (怪獣総進撃) .

Curiosamente, a decisão de tornar o Ultraman da nova série um personagem totalmente diferente do original só foi tomado após a gravação das primeiras cenas de ação. Isso evidencia como as mudanças no projeto ocorreram de forma abrupta e certamente geraram tensão e incerteza nos bastidores.

Uma continuação direta da série de 1966, retomando personagens, temas e elementos do original, teria sido um marco interessante para a franquia e vale lembrar que Ultraseven, sucessor de Ultraman, ganhou uma continuação oficial anos depois, na chamada Heisei Ultraseven (平成ウルトラセブン, 1994).

Mas, apesar de Ultraman (ウルトラマン, 1966) não ter recebido uma sequência direta em live action, a obra ganhou continuidade oficial em outro formato. Publicado a partir de dezembro de 2011 na revista Hero’s Monthly, o mangá ULTRAMAN é escrito por Eiichi Shimizu e ilustrado por Tomohiro Shimoguchi, funcionando como uma sequência da série original e desconsiderando os acontecimentos posteriores do universo da franquia. A história parte da premissa de que Ultraman foi o único Ultra a visitar a Terra, adotando uma abordagem semelhante à vista em Ultraseven da era Heisei (1989-2019). No Brasil, o mangá é publicado pela Editora JBC e recebeu adaptação animada pela Netflix em 2019.

Classificado como um mangá seinen, voltado ao público adulto, ULTRAMAN apresenta uma narrativa mais densa e personagens complexos. Como parte da comemoração do anúncio da serialização, foi lançado o dōjinshi especial ULTRAMAN BEGINS: The Beginning of a New Battle (ULTRAMAN BEGINS 2011 新たな戦いのはじまり). Dojinshi são publicações independentes, geralmente produzidas fora do mercado editorial tradicional, e neste caso o material foi distribuído na Comiket com o objetivo de arrecadar fundos para a Ultraman Foundation.

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