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Review: Conspirações na areia marcam o episódio 3 de ‘Garo: Higashi no Kairo’

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Uma cena noturna se abre nos mostrando Lector e Ryuga contemplando as ruínas da cidade que outrora fora coberta por paisagens frondosas e um céu azul resplandecente. Lector divide suas observações com o Cavaleiro Makai, que se atenta para alguns pontos mais destoantes da situação, como o fato de o “Olho” ter aparecido no Sul, que também tinha sido tomado pela areia sem fim, antes de surgir na cidade de Sagan, além da suspeita de que exista um mentor por trás dessa ameaça.

Esse tal “Olho” vem espreitando desde o primeiro episódio. E quando eu digo “Olho”, é justamente isso que quero dizer: um olho mágico do tamanho de uma bola de tênis, que aparenta ter vida e se movimenta flutuando ao redor das situações de perigo com as quais nossos heróis se deparam. Esse mentor em questão muito possivelmente seria Garzas, o “Rei da Areia”, que, nas palavras de Zaruba, na voz de Hironobu Kageyama, que reprisa o personagem desde a primeira temporada, nos alerta que, se esse for mesmo o caso, um futuro terrível os aguarda. E Lector, que já havia perdido para ele uma vez no passado, teria agora uma chance de se vingar. Mas seria essa uma tarefa possível para esse sacerdote?

A vida na cidade está cada vez mais difícil, sem água para absolutamente nada. Porém, há um pequeno alento de esperança. No poço, pequenas gotas de água dão aos moradores algo em que se agarrar, ao mesmo tempo em que forasteiros, à procura de melhores condições de vida, se indispõem com os moradores locais na busca desenfreada por raríssimas porções de água. É nesse cenário que somos apresentados a uma antiga conhecida de Lector, Ayura, que o chama de “Mestre”.

Logo percebemos algumas rusgas na relação dos dois. Após ter abandonado a ordem dos Sacerdotes Makai, ela se dedica a uma causa até então desconhecida.

Ryuga é convocado à presença do casulo que contém Ryume Sama, e uma interação entre Rian e Elmina coloca em pauta a pureza de descendência da nossa Sacerdotisa Makai preferida, ao ser questionado o porquê do pedido de Ryume para que ela seja a próxima protetora dessa região, ao invés de alguém de linhagem pura da Tribo do Dragão. Ciúmes e traição espreitam os recônditos das cavernas nas quais essa conversa se desenrola.

O episódio converge em um clímax duplo no centro da cidade, onde paredes de pedra surgem cercando Lector e Ayura, ao mesmo tempo em que, dentro das cavernas, Elmina investe com magia de alto nível contra Rian, que a pega de surpresa, mas acaba aprisionada e sem forças para resistir ao encantamento.

A ação se desenrola rapidamente. Um horror insetoide dispara flechas de pedra contra Lector aprisionado, que, quando está prestes a morrer, é salvo por Ryuga, sempre em um timing impecável e com um sobretudo esvoaçante digno dos personagens mais estilosos já criados. A coreografia é impecável, como sempre. O horror, subindo pelas paredes, desvia da espada makai com muita destreza, ao mesmo tempo em que investe contra Ryuga com uma arma que lembra uma foice de duas pontas.

Nada melhor do que um diretor que ao mesmo tempo é o coreógrafo de lutas, porque ele pode se certificar de que sua coreografia será bem enfocada e editada da maneira que idealizou. E esse é o caso das sequências conduzidas por Masaki Suzumura.

O episódio tem um ritmo mais lento no começo, o que não prejudica em nada a imersão, pois personagens estão sendo adicionados à trama e outros se revelam algo que não sabíamos até então, nos levando até um final com uma dose de ação na medida certa e com gostinho de quero mais.

O ponto alto do episódio é o horror em forma de inseto humanoide. Maquiagem e concept art estão em um nível altíssimo, com detalhes de construção de figurino e materiais usados na confecção desses trajes que são de cair o queixo.

Garo: Higashi no Kairo está sendo exibido oficialmente no canal GARO PROJECT no YouTube, com possibilidade de legenda em português via tradutor da plataforma.

Nota: 7/10

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