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Review: ‘Ultraman X Vingadores’ mostra por que ‘Ultraman’ funciona em qualquer universo

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Depois de consolidar um universo próprio na Marvel com A Ascensão de Ultraman, Os Desafios de Ultraman e O Mistério de Ultraseven, era apenas uma questão de tempo para que a editora colocasse o Gigante de Luz frente a frente com seus heróis mais populares. O resultado é Ultraman X Vingadores (Ultraman X Avengers, 2024), minissérie em quatro edições lançada no Brasil pela Panini em outubro de 2025, reunindo o Universo Ultra aos Heróis Mais Poderosos da Terra sem abandonar a continuidade construída desde 2020.

Felizmente, Kyle Higgins e Mat Groom tomam uma decisão acertada logo de início: o Universo Ultra continua separado da Terra-616. Em vez de simplesmente misturar tudo, os autores utilizam o conceito do multiverso para justificar o encontro, preservando a identidade da franquia da Tsuburaya Productions. Isso faz com que a obra funcione como uma sequência direta das histórias anteriores, recompensando quem acompanhou essa fase da Marvel, mas sem afastar novos leitores.

A premissa é simples. Após uma experiência envolvendo Reed Richards, Galactus acaba chegando ao Universo Ultra e transforma aquela Terra em seu próximo alvo. Miles Morales é o primeiro herói da Marvel a cruzar dimensões, seguido pelos Vingadores, formados por Sam Wilson como Capitão América, Capitã Marvel, Homem de Ferro, Vespa e Peter Parker. Diferente da maioria dos crossovers, não existe aquele tradicional conflito inicial entre os protagonistas. Os heróis rapidamente entendem a gravidade da situação e passam a trabalhar juntos contra uma ameaça muito maior.

Esse talvez seja um dos maiores acertos da história. Kyle Higgins e Mat Groom evitam desperdiçar páginas com desentendimentos artificiais e focam justamente naquilo que o leitor quer ver: Ultraman e os Vingadores dividindo estratégias, enfrentando kaijus e tentando impedir Galactus. A trama ainda reserva um papel decisivo para Ultraman Taro, que protagoniza um dos confrontos mais importantes da minissérie contra o Devorador de Mundos. Outro ponto interessante é o debate entre Ultraman e Galactus, que contrapõe a filosofia de preservação da vida defendida pelo Gigante de Luz à natureza inevitável do devorador de planetas. Há ainda momentos divertidos, como Tony Stark interagindo com a tecnologia da PCU, Nikki utilizando uma armadura inspirada no Homem de Ferro e diversas referências que agradam tanto fãs da Marvel quanto do tokusatsu.

Francesco Manna retorna ao Universo Ultra entregando uma arte bastante competente. As cenas de ação possuem boa dinâmica, Galactus transmite toda a imponência esperada e os kaijus ganham destaque durante os confrontos. O artista também consegue equilibrar muito bem personagens humanos, gigantes e tecnologia sem que a narrativa fique visualmente confusa.

Entretanto, o roteiro acaba optando pelo caminho mais seguro possível. Apesar da ameaça parecer gigantesca, quase tudo se resolve com facilidade excessiva. Os conflitos têm pouca tensão, alguns acontecimentos importantes acontecem rapidamente e falta aquele peso que normalmente acompanha histórias envolvendo Galactus. O crossover funciona mais como uma grande celebração entre duas franquias do que como uma narrativa marcante.

Ainda assim, é impossível negar o carinho que os autores demonstram por Ultraman. Diferente de muitos encontros entre propriedades intelectuais, o Gigante de Luz não é tratado como um convidado especial. Pelo contrário, ele continua sendo o verdadeiro protagonista da história, mantendo intactos seus valores de esperança, compaixão e sacrifício, enquanto os próprios Vingadores acabam aprendendo com sua forma de enxergar o mundo.

No fim das contas, Ultraman X Vingadores cumpre exatamente aquilo que promete. É um crossover divertido, acessível e repleto de fan service, que respeita tanto o Universo Ultra quanto os heróis da Marvel. Porém, depois de acompanhar a qualidade das três primeiras minisséries, fica a sensação de que esse universo criado por Kyle Higgins e Mat Groom tem potencial para histórias ainda mais interessantes do que simplesmente cruzar caminhos com outros personagens. Que esses encontros continuem existindo, mas permaneçam como eventos especiais, sem tirar o foco da excelente mitologia que a dupla vem construindo.

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