O primeiro episódio de Kakusei Hunter Omegahorn deixa claro desde o início que a série pretende ir além de apenas vender batalhas. A estreia se concentra em estabelecer seu universo, dividindo a narrativa entre a exploração de ruínas e artefatos feita pelo protagonista e o sistema de combate entre as feras. A proposta remete bastante a Pokémon e outros animes com temáticas semelhantes, principalmente pela ideia de “caçar, despertar e evoluir” criaturas, enquanto Shout lembra um treinador da franquia, mas com um perfil muito mais voltado à arqueologia do que às competições.
A construção do mundo funciona muito bem. A explicação sobre os Kakuzyu, antigos deuses selados após a guerra contra os Zetsu-Kakuzyu, seguida pela ascensão da “Era dos Hunters“, que utiliza os Egorgears e dispositivos de despertar, apresenta uma base sólida para a mitologia da série sem sobrecarregar o espectador com excesso de informações. Shout também foge do arquétipo tradicional do herói impulsivo. Seu interesse está em decifrar inscrições, explorar ruínas e reconstruir a história do passado, tornando-o um protagonista com motivações próprias.


Os personagens secundários também deixam uma boa primeira impressão. Ana (Omega Analyzer), com sua personalidade de inteligência artificial constantemente irritada com Shout, rende momentos divertidos. Giriko surge como uma duelista segura de si, enquanto os gêmeos Ail e All acrescentam energia às interações. Já a Ibaru Alliance aparece como uma organização que afirma lutar pelo bem da população, mas demonstra interesses muito mais ambiciosos, funcionando como uma ameaça promissora para os próximos episódios.
Outro acerto é a paciência do roteiro. Em vez de acelerar a trama para colocar o protagonista imediatamente em um torneio ou estabelecer uma rivalidade forçada, a série dedica tempo para apresentar vilarejos, ruínas, o comércio de Egorgears, a cultura das Hunter Battles e as organizações que movimentam esse universo. Essa escolha torna o cenário mais crível e transmite a sensação de que existe uma história muito maior por trás dos acontecimentos.


O principal problema da estreia está justamente no aspecto que deve ser o grande atrativo para o público infantil: as batalhas entre os Kakuzyu. O primeiro confronto entre Sakaku e Zankaku cumpre a função de explicar as regras do sistema, mas a combinação entre efeitos práticos e CGI ainda parece pouco refinada, passando mais a impressão de um teste técnico do que de um grande espetáculo. A luta envolvendo Shout, Gokaku e a entrada de Enkaku, culminando na combinação com o Omegahorn Fighter, apresenta uma leve evolução, mas ainda carece de impacto visual. Considerando que a série deve apostar bastante nesses confrontos, esse é um ponto que precisará evoluir rapidamente.
No geral foi uma estreia competente. O episódio apresenta um protagonista interessante, uma mitologia bem construída, um sistema de poder fácil de compreender e personagens que despertam curiosidade para os próximos capítulos. A fundação da série é bastante sólida; agora resta que as batalhas atinjam o mesmo nível de qualidade da construção de mundo para que Kakusei Hunter Omegahorn alcance todo o seu potencial.
Nota: 7/10
Kakusei Hunter Omegahorn (角醒ハンター オメガホーン , 2026), está sendo exibido no canal TokuSato no Youtube, todo sabado as 23h30.

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