Reviews, Artigos

Review: ‘Mighty Morphin Power Rangers: The Movie’, para o Super Nintendo

Publicidade

Lançado para o Super Nintendo em 23 de junho de 1995 na América do Norte, Mighty Morphin Power Rangers: The Movie chegou às lojas apenas uma semana antes da estreia do filme homônimo, que chegou aos cinemas dos Estados Unidos em 30 de junho daquele ano. Apesar de compartilhar o nome e a identidade visual da produção cinematográfica, o jogo não adapta diretamente sua história. Em vez disso, apresenta uma aventura própria, combinando elementos da segunda temporada de Mighty Morphin Power Rangers com personagens, uniformes e conceitos introduzidos no longa. O resultado é um jogo que aproveita o filme como referência visual e comercial, mas que funciona, sobretudo, como uma nova aventura baseada em quase sua totalidade na série.

Diferentemente do primeiro jogo da série para o Super Nintendo, Mighty Morphin Power Rangers (1994), o título coloca até dois jogadores simultaneamente na tela e oferece seis personagens jogáveis: Billy, Kimberly, Tommy, Rocky, Adam e Aisha. Jason, Zack e Trini, os integrantes originais que haviam deixado a equipe durante a segunda temporada, não estão presentes. Tommy também aparece como Ranger Branco, acompanhando a formação da equipe naquele período. A estrutura é bastante familiar para quem conhece os jogos de ação dos anos 1990. O jogador percorre as fases enfrentando os Bonecos de Massa/Patrulheiros do Lord Zedd, coleta itens e chega até um chefe.

O sistema funciona bem e, principalmente, apresenta uma jogabilidade bastante fluida. Um dos elementos mais interessantes é a possibilidade de alternar entre dois planos durante as fases. O personagem pode se deslocar entre a parte frontal e traseira do cenário, algo que ajuda tanto na movimentação quanto na hora de evitar ataques e posicionar-se para acertar os inimigos. É uma mecânica simples, mas que dá uma dimensão adicional às fases. Na época, Electronic Gaming Monthly comparou o jogo negativamente a Final Fight (1989), considerando-o um clone mediano do beat ‘em up da Capcom.

Os quatro avaliadores da revista deram uma média de 5,875 pontos em 10, destacando principalmente a pouca variedade de golpes e inimigos. A comparação faz sentido até certo ponto, mas também acaba ignorando algumas possibilidades que o jogo oferece. Apesar das limitações, Mighty Morphin Power Rangers: The Movie apresenta mais possibilidades de movimentação do que Final Fight. Além dos golpes normais, os personagens ganham novas possibilidades quando se transformam em Power Rangers. Uma delas é uma esquiva executada pressionando para baixo e o botão de pulo.

Durante alguns instantes dessa movimentação, o personagem possui frames de invencibilidade, ou seja, pequenos períodos nos quais ele não pode ser atingido mesmo que esteja passando pelo ataque de um inimigo. Existe ainda um recurso bastante curioso no modo para dois jogadores. Quando os dois personagens estão transformados, é possível utilizar o outro Ranger para alcançar uma posição mais alta e executar um segundo pulo. Basta saltar rapidamente sobre as costas do companheiro para ganhar impulso novamente. É uma mecânica pouco convencional para o gênero e que demonstra que há mais profundidade na movimentação do que o jogo deixa transparecer inicialmente.

No início de cada fase, o jogador controla o personagem em sua identidade civil. Ao derrotar inimigos, é possível coletar pequenos itens em formato de raio que preenchem o medidor de morfagem. Quando a barra está cheia, o jogador pode se transformar utilizando o botão de ataque especial. A transformação é acompanhada por uma sequência digitalizada baseada na transformação da segunda temporada da série. O processo também acontece automaticamente antes de determinados confrontos, independentemente da quantidade de energia acumulada no medidor.

Após a transformação, o Ranger passa a contar com novos golpes e acesso à sua arma característica. Para utilizá-la, é necessário preencher novamente a barra de morfagem, que começa a se esvaziar assim que o personagem é transformado. Com a barra cheia, além da arma, o jogador pode executar seu ataque especial, que é especialmente eficaz contra os chefes, causando uma grande quantidade de dano. Contra inimigos comuns, o golpe pode até derrotá-los instantaneamente. O jogo também oferece um código especial que permite iniciar as fases já transformado, desbloqueado ao concluir a campanha no modo hard (difícil).

Visualmente, Mighty Morphin Power Rangers: The Movie é um jogo bastante bonito para os padrões do Super Nintendo, com cenários coloridos, inimigos bem detalhados, animações fluidas e sprites caprichados. O termo sprite se refere, de maneira simples, às imagens usadas para representar personagens, inimigos, objetos e outros elementos na tela. Nesse aspecto, o jogo chama atenção especialmente pela diferença visual entre os sprites das identidades civis dos personagens e suas formas de Ranger, que apresentam características próprias e ajudam a reforçar a transformação durante a aventura.

Billy, Kimberly, Tommy, Rocky, Adam e Aisha possuem sprites próprios quando estão destransformados. Cada personagem tem características visuais distintas, o que ajuda a dar identidade ao elenco. O problema aparece quando os cinco Rangers que não são Tommy se transformam. Com exceção do Ranger Branco, os personagens utilizam essencialmente o mesmo sprite do Ranger Vermelho, com alterações principalmente nas cores. Isso faz com que Billy, Kimberly, Rocky, Adam e Aisha percam parte da individualidade visual que tinham como personagens civis.

É uma solução compreensível para um jogo de 1995, mas fica bastante evidente quando os personagens são colocados lado a lado. Também existem comentários na internet criticando o fato de a Ranger Rosa não utilizar uma saia em seu uniforme. Nesse caso, porém, não se trata exatamente de um erro do jogo. Os Rangers receberam novos uniformes para o filme e, na produção cinematográfica, Kimberly também utiliza o uniforme sem a saia tradicional. Um belo destaque é a trilha sonora. A música do jogo foi composta por Hiroyuki Iwatsuki e Haruo Ohashi, compositores com experiência em jogos de ação e que trabalharam em diversos títulos conhecidos.

Iwatsuki possui uma carreira particularmente ligada à Natsume, tendo participado de trilhas de jogos como Ninja Warriors (1987), Pocky & Rocky (1992) e Omega Five (2008). Já Ohashi é conhecido por trabalhos em títulos como Mighty Morphin Power Rangers: The Fighting Edition (1995), Gundam Wing: Endless Duel (1996) e Wild Guns (1994). O resultado funciona muito bem dentro da proposta. A trilha consegue transmitir a sensação de estar jogando um episódio de Power Rangers, mas sem fazer todas as fases soarem iguais. Cada cenário recebe uma identidade musical própria, ajudando a estabelecer o clima da aventura. Um bom exemplo está na terceira fase, ambientada em uma região coberta de neve. O cenário exige uma série de saltos e movimentações cuidadosas, e a música contribui diretamente para criar uma sensação de tensão.

Talvez a maior curiosidade de Mighty Morphin Power Rangers: The Movie seja justamente a relação bastante limitada com o filme. Apesar do título e de Ivan Ooze aparecer como o último chefe, as seis primeiras fases não adaptam a história do longa. Em vez disso, o jogo utiliza monstros que apareceram originalmente na segunda temporada da série. O primeiro chefe é Mirror Maniac, o monstro de espelhos do episódio Beauty and the Beast. Depois aparece Cannon Top, criado por Lord Zedd a partir de um pequeno canhão pertencente ao primo de Billy em Scavenger Hunt. A terceira fase apresenta Skelerena, a criatura com aparência de hiena esquelética de Mirror of Regret. Em seguida, o jogador enfrenta Magnet Brain, o monstro magnético de Opposites Attract. O quinto chefe é Silver Horns, criatura semelhante que aparece na segunda parte de The Power Transfer. Curiosamente, ele também retornaria no jogo seguinte da franquia para o Super Nintendo, Mighty Morphin Power Rangers: The Fighting Edition (1995).

Já o sexto chefe é Main Frame, uma criação exclusiva da versão para Super Nintendo. O personagem é representado como um grande cérebro armazenado em uma máquina gigantesca, acompanhado por três esferas flutuantes. Somente na sétima e última fase a aventura realmente estabelece uma ligação direta com o filme, colocando os Rangers frente a frente com Ivan Ooze, o principal vilão da produção. Outra diferença importante em relação ao primeiro jogo de Power Rangers para o Super Nintendo é a ausência das batalhas de Megazord. Aqui, a aventura permanece concentrada na ação em plataforma lateral. Não há fases específicas em que o jogador assume o controle de um Megazord para enfrentar monstros gigantes. O Ninja Megazord, entretanto, aparece durante a sequência final, fazendo uma ligação visual com o filme e também com a terceira temporada da série.

Mighty Morphin Power Rangers: The Movie está longe de ser um jogo perfeito, mas também merece mais crédito do que a recepção de parte da crítica da época pode sugerir. A falta de variedade de inimigos e golpes realmente existe e pode tornar a experiência repetitiva em alguns momentos. A reutilização dos sprites dos Rangers transformados também é uma limitação visual bastante evidente. E, apesar do título, quem esperar uma adaptação fiel do filme provavelmente ficará decepcionado. Por outro lado, a jogabilidade é fluida, o sistema de dois planos funciona muito bem, a transformação acrescenta novas possibilidades ao combate e existem técnicas interessantes de movimentação, principalmente quando dois jogadores trabalham juntos. A trilha sonora é outro ponto forte, conseguindo reproduzir muito bem o clima da série e diferenciando as fases.

Nota: 08/10

Quem aí já conseguiu ganhar do Ivan Ooze no Mighty Morphin Power Rangers: The Movie do Super Nintendo?

Tokusatsu.com.br (@tokusatsu.bsky.social) 2026-08-18T15:05:12.244Z
Compartilhe
Publicidade

Mais artigos

Review: ‘Ultraman Zero Cosmo Rise’ é mais vitrine de produto que celebração

Yasuko Kobayashi: de um episódio de ‘Winspector’ a uma carreira em ‘Super Sentai’, ‘Kamen Rider’ e anime

Hideki Tsuji revela paixão por tokusatsu e comenta impacto da IA no Comic Market Brasil

Review: Episódio 47 de ‘Kamen Rider Zeztz’ traz Sieg de volta à luta

Review: Episódio 3 de ‘Omegahorn’ mostra o verdadeiro preço dos ‘Egorgears’

Review: Episódio 6 de ‘Ultraman Teo’ transforma cuidado em responsabilidade