O terceiro episódio de Kamen Rider My-Th muda um pouco o foco e coloca Tatsuomi definitivamente no centro da história. Depois de dois episódios acompanhando principalmente Sora e Yuna, finalmente vemos o treinamento de Tatsuomi, sua relação com a Aliança dos Doze Signos e, principalmente, sua transformação em Kamen Rider Rid. É uma evolução importante para o personagem e também para a própria trama, já que agora temos outro Rider diretamente envolvido nos acontecimentos.
Não gostei tanto da maneira como o episódio constrói a preparação de Tatsuomi para assumir o Driver. O treinamento com Tigre funciona para mostrar um pouco mais das habilidades do personagem e também sua relação com a Aliança, mas achei que a proximidade entre os dois foi construída de forma um pouco forçada. Em pouco tempo, o roteiro tenta estabelecer uma relação quase de irmãos entre eles, com Tigre assumindo esse papel de mentor mais próximo, mas não senti que isso aconteceu de maneira tão natural. Talvez seja justamente uma relação que precise de mais tempo para ser desenvolvida e ganhar o peso que o episódio parece querer dar a ela.


Por outro lado, a chegada de Rid é muito interessante. Tatsuomi finalmente tem a oportunidade de lutar ao lado de Sora, mas o episódio também deixa claro que ele ainda não está preparado para entender tudo o que está acontecendo. Mesmo conseguindo enfrentar o Inexplicável e acertar seu golpe final, o monstro simplesmente se recupera e foge. Isso é importante porque evita transformar a primeira luta de Rid em uma vitória fácil e ainda deixa uma nova pergunta: por que aquele Inexplicável conseguiu sobreviver? Até aqui, os monstros pareciam seguir uma lógica mais simples, e esse acontecimento começa a mudar essa percepção.
Gostei de continuar vendo a Aliança ganhando espaço. Kamuri mostra que está disposto a utilizar Tatsuomi para chegar até Sora, enquanto Datt perde seu Driver justamente por não ter conseguido resolver o problema no episódio anterior. Aos poucos, o grupo deixa de ser apenas uma organização misteriosa e começa a ganhar personalidade própria. Ainda tenho bastante desconfiança sobre as verdadeiras intenções deles, principalmente porque sabemos muito pouco sobre o passado da Aliança e sobre o que realmente aconteceu com o primeiro My-Th. O fato de Kamuri também manter alguns projetos em segredo aumenta ainda mais essa sensação.


Já a parte de Yuna e Sora traz um lado mais emocional para o episódio. A história de Shiori e do pai desaparecido funciona para mostrar novamente como Yuna se envolve emocionalmente com as pessoas que procuram ajuda, mas o que mais gostei foi o momento final entre ela e Sora. A promessa que Yuna fez ao pai e a lembrança da perda dos pais dela e do pai de Sora dão mais peso à relação dos dois. E cada vez mais fico com a impressão de que existe algo maior envolvendo Yuna e o legado de My-Th. Afinal, até aqui é ela quem possui essa ligação tão direta com o Driver, enquanto Sora é quem assume a transformação. Será que estamos olhando para o verdadeiro herdeiro de My-Th da maneira errada? Talvez Yuna tenha um papel muito maior nessa história do que imaginamos.
No geral, considero este um bom terceiro episódio, principalmente porque Rid finalmente entra em cena e a história começa a ampliar seu elenco de Riders sem abandonar o mistério central. Ainda acho que algumas relações precisam de mais tempo para parecerem naturais, especialmente Tigre e Tatsuomi, mas a série continua conseguindo apresentar novas informações sem revelar tudo de uma vez. E o fato de o Inexplicável ter sobrevivido ao golpe de Rid mostra que My-Th ainda tem algumas cartas na manga. Até agora, a série continua me deixando curioso para descobrir onde tudo isso vai chegar.
Nota: 8/10

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