Após os acontecimentos dos últimos episódios, Kamen Rider Zeztz entrega um capítulo mais focado em seus personagens e em suas relações. Sem grandes revelações, o episódio 37 utiliza seu tempo para desenvolver conflitos importantes e encaminhar a trama para os próximos desafios. O resultado é um episódio simples, mas eficiente, que funciona melhor do que seu antecessor.
Logo no início, o episódio deixa claro que a restauração das memórias não resolveu todos os problemas. Enquanto Fujimi tenta expor a verdade através de transmissões online, Baku continua agindo conforme sua natureza, correndo para salvar um amigo mesmo sem possuir novamente seus poderes. É uma característica que acompanha o personagem desde o começo da série e que volta a ser destacada aqui. Baku não é um herói porque se transforma, ele se transforma porque já é um herói.


O desenvolvimento de Zero foi um dos pontos mais interessantes do episódio. Pela primeira vez, a série mostra de forma mais clara sua relação com o Agente 5, revelando que ele o acolheu após a morte de seu pai e participou diretamente de sua formação dentro da CODE. É uma revelação simples, mas que recontextualiza vários momentos anteriores, especialmente a lealdade quase inabalável que o personagem sempre demonstrou pela organização. Talvez essa trama merecesse mais tempo de desenvolvimento, mas ainda assim adiciona uma camada emocional importante ao conflito.
Outro destaque foi a participação de Sieg, que definitivamente deixou o papel de ameaça ou grande vilão. Mesmo permanecendo um personagem egoísta e imprevisível, ele acaba se tornando fundamental para o sucesso dos heróis. A série continua explorando muito bem essa relação ambígua, onde Sieg ajuda o grupo não por altruísmo, mas porque seus próprios objetivos acabam entrando em conflito com os planos da CODE. A interação entre ele e Zero continua sendo uma das mais divertidas da produção.


A batalha envolvendo Nox também entrega um dos momentos mais aguardados dos últimos episódios. Desde que voltou ao controle da CODE, o personagem vinha sendo tratado como uma peça fundamental para os planos do Agente 3, e finalmente vemos o início de sua libertação. O mais interessante é que sua redenção não acontece apenas pela força de Baku. Ela depende de uma corrente de ações envolvendo Zero, o Agente 5, Fujimi e vários outros personagens. É uma vitória coletiva, reforçando novamente a mensagem principal do episódio.
A cena em que Fujimi enfrenta Nox merece destaque especial. Mesmo sem qualquer poder ou capacidade de combate, ele decide permanecer firme diante de alguém muito mais forte. É um daqueles momentos clássicos do tokusatsu que lembram que coragem não significa ausência de medo, mas a decisão de agir apesar dele. A sequência ajuda a fortalecer ainda mais a ligação construída entre os dois personagens ao longo da série.


Visualmente, o episódio também trouxe um presente para os fãs ao resgatar o Zeroider, que não aparecia há bastante tempo. Além do fator nostálgico, seu retorno reforça a importância de Zero dentro da história justamente em um momento onde diversos personagens começam a questionar seus próprios sonhos e objetivos. O episódio utiliza bem elementos já estabelecidos anteriormente, evitando que a resolução pareça surgir do nada.
No geral, o episódio 37 não é o mais explosivo até agora, mas cumpre muito bem sua função. Ele organiza as peças do tabuleiro, fortalece relações importantes e prepara o terreno para o confronto contra o Agente 3. A libertação de Nox representa um passo importante para os heróis, mas a sensação é de que a verdadeira batalha ainda está por vir. Se a prévia cumprir o que promete, os próximos capítulos têm potencial para entregar um dos momentos mais marcantes de toda a série.
Nota: 8,5/10

Você precisa fazer login para comentar.