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Review: Episódio 50 de ‘Kamen Rider Zeztz’ encerra uma jornada entre sonhos, sacrifícios e recomeços

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Chegar ao episódio final de Kamen Rider Zeztz também marca, para mim, o encerramento de uma experiência particular. Foi um prazer acompanhar e resenhar uma série episódio a episódio, registrando semanalmente seus acontecimentos, possibilidades e referências, enquanto caminhávamos ao lado de seus personagens por uma jornada de ascensão, quedas, vitórias e derrotas. Uma série de cinquenta episódios oferece tempo suficiente para criar expectativas, mudar de opinião e acompanhar histórias que nem sempre seguem o caminho imaginado inicialmente. E, embora tenha chegado ao final com algumas ressalvas, Kamen Rider Zeztz conseguiu entregar uma conclusão satisfatória para uma trajetória que, em diversos momentos, demonstrou muito potencial.

A batalha final contra Oblivion reúne finalmente Baku, Nox e Sieg, três personagens que percorreram caminhos bastante diferentes durante a temporada. Mais do que simplesmente derrotar o inimigo, o confronto funciona como uma síntese da principal ideia da série: sonhos podem causar dor, trazer frustrações e até gerar pesadelos, mas abandoná-los não é necessariamente a resposta. Enquanto Oblivion representa a desistência e o apagamento daquilo que machuca, os Riders defendem justamente o contrário, a capacidade de seguir em frente e encontrar novos objetivos mesmo depois que um sonho se realiza. A chegada da forma Heart of Impact e o golpe final encerram o conflito de maneira eficiente, com uma batalha visualmente grandiosa e coerente com a mensagem construída ao longo dos episódios.

O destino de Baku, porém, foi o elemento que mais me deixou dividido. Particularmente, acredito que sua decisão de permanecer no Mundo dos Sonhos funcionaria perfeitamente como a conclusão definitiva de sua jornada. Depois de tudo o que sacrificou, assumir a posição de defensor daquele mundo parecia uma consequência natural para o personagem, transformando-o em uma espécie de guardião permanente dos sonhos. Por isso, seu despertar no mundo real no encerramento diminui um pouco o peso desse sacrifício. Por outro lado, estamos falando de uma produção infantojuvenil e, naturalmente, existe uma expectativa por um desfecho mais feliz e reconfortante. Não era exatamente o final que eu esperava, mas entendo perfeitamente a escolha de devolver Baku para aqueles que construíram uma ligação tão forte com ele.

A reta final também reforçou algo curioso: por alguns momentos, Nem quase assumiu o protagonismo emocional da história. Seu arco ganhou enorme importância nos episódios finais e a personagem se tornou fundamental para a resolução do conflito contra Oblivion. Isso não prejudica Baku, mas muda consideravelmente o centro dos momentos decisivos. Ainda assim, a série consegue equilibrar esse protagonismo compartilhado ao mostrar que cada personagem chega ao final carregando as consequências de sua própria trajetória. Minami, Fujimi, Nasuka, Nox, Sieg, Nem e até a Madame encontram algum tipo de conclusão, reforçando que a vitória não pertence apenas ao herói principal.

O epílogo amplia esse sentimento de continuidade. A criação da organização ZEZTZ, agora liderada por Baku no Mundo dos Sonhos, sugere que sua missão não terminou, apenas assumiu uma nova forma. A introdução da Agente 8 também funciona como uma passagem de bastão interessante, especialmente quando Baku insiste que ela não deve ser apenas mais um número ou uma ferramenta de uma organização. Cada pessoa precisa encontrar sua própria vontade e seus próprios sonhos. É uma mensagem simples, mas bastante alinhada com aquilo que Kamen Rider Zeztz tentou defender durante toda a temporada. Os demais personagens também recebem pequenos momentos de encerramento, enquanto Nem continua sua vida e mantém uma ligação com a Madame através dos sonhos.

Apesar disso, existe uma crítica que faço pessoalmente à temporada: acredito que a rápida conclusão e dissolução da CODE fez a série perder parte de seu potencial para se tornar algo ainda maior. Uma organização apresentada inicialmente como tão poderosa e influente poderia ter recebido mais profundidade e aproveitamento narrativo. Um desenvolvimento mais robusto da CODE talvez tivesse tornado o arco final mais pesado, ampliando a sensação de que os personagens realmente estavam enfrentando uma estrutura gigantesca antes da chegada dos conflitos definitivos. E aqui entra uma opinião muito particular minha, com a qual você, leitor, não precisa concordar: em um período comemorativo pelos 55 anos de Kamen Rider, eu teria achado interessante estabelecer alguma conexão histórica ou simbólica com a Shocker, criando uma ponte com a origem da franquia e explorando ainda mais o peso dessa organização dentro do universo da série.

No fim, Kamen Rider Zeztz não foi uma temporada perfeita e teve momentos em que seu ritmo e algumas decisões narrativas poderiam ter sido melhores aproveitados. Ainda assim, quase acreditei que a série poderia tropeçar justamente no último obstáculo, mas isso não aconteceu. O episódio 50 entrega uma conclusão emocionalmente satisfatória, uma boa batalha final e espaço suficiente para que seus personagens encontrem novos caminhos. Talvez eu preferisse que Baku tivesse permanecido definitivamente como guardião do Mundo dos Sonhos, encerrando sua trajetória com um sacrifício mais definitivo, mas o “bom dia” final também representa aquilo que a série sempre defendeu: depois de uma noite, por mais difícil que ela tenha sido, sempre existe a possibilidade de acordar e continuar sonhando.

Nota: 9/10

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