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Review: Episódio 25 de ‘Kamen Rider Zeztz’ não reinicia a história, mas aponta para o que realmente está por vir

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O episódio 25 de Kamen Rider Zeztz não funciona como um reinício da série, mas sim como uma reorganização completa de suas peças narrativas. Depois do impacto dramático do capítulo anterior, que encerra de forma pesada o primeiro grande arco da série, a história não tenta imediatamente ampliar o caos ou os mistérios. Em vez disso, o episódio se comporta como um motor potente que faz uma breve parada para reabastecer antes de voltar à estrada. A série não está começando novamente, mas claramente está reposicionando suas peças para uma nova fase. O ritmo diminui o suficiente para reorganizar a trama, mas a sensação é de que algo muito maior está prestes a acelerar novamente.

Esse reposicionamento começa com Baku acordando em um hospital após ter sido atropelado. Minami explica o acidente de maneira casual, como se fosse apenas um acontecimento cotidiano. Para qualquer pessoa ao redor, trata-se de algo simples. No entanto, a situação rapidamente se torna estranha quando Baku percebe que ainda possui o Zeztz Driver, o Zeztz Phone e vários Capsems que ele não deveria ter naquele ponto da história. Mais inquietante ainda é o fato de que ele se lembra de absolutamente tudo que vivenciou antes: as batalhas, os confrontos com CODE, os encontros com Nem, os conflitos com Nox e até o momento em que foi executado pelo Agente 3. Para todos ao seu redor, nada disso aconteceu. Para Baku, porém, cada detalhe foi completamente real.

Esse ponto estabelece a grande premissa do episódio. A narrativa passa a sugerir que grande parte dos acontecimentos anteriores pode ter sido um sonho premonitório, ou algo o fez voltar no tempo? Afinal, os itens da CODE não ficaram para traz. A ideia de que metade da série pode ter acontecido dentro de uma visão do futuro parece simples demais para uma produção que passou tanto tempo tentando quebrar expectativas e construir mistérios complexos. Ainda assim, o episódio usa essa premissa não como uma desculpa para apagar o que aconteceu antes, mas como uma forma de mudar completamente a posição do protagonista dentro da história. Agora Baku não é mais alguém tentando entender o que está acontecendo ao seu redor. Ele é alguém que já viu o resultado e precisa impedir que ele se concretize.

Ao voltar para casa, Baku vai direto ao centro de comando e acorda Zero, que estava na forma de moto. Ele coloca todos os Capsems que possui sobre a mesa, e a reação de Zero deixa claro que algo está errado. Alguns daqueles itens simplesmente não deveriam existir naquele momento. Zero tenta acalmar a situação sugerindo que Baku apenas teve um sonho ruim, mas essa explicação rapidamente perde força quando Baku aponta para o Dualmare Capsem. Se tudo foi apenas um sonho, como explicar a existência de um item que ele não deveria possuir? A pergunta coloca Zero em uma posição desconfortável e deixa claro que o protagonista entende muito mais do que deveria.

A conversa rapidamente ganha um tom mais tenso. Baku deixa claro que sabe que está sendo usado pela CODE e que entende perfeitamente que a organização pretende descartá-lo quando ele deixar de ser útil. Pela primeira vez, ele confronta diretamente a estrutura de controle que vinha guiando suas ações. Quando percebe que não conseguirá recuperar o controle da situação, Zero acaba sendo expulso do centro de comando, enquanto Baku bloqueia o acesso ao local. Esse momento representa uma mudança significativa para o personagem. Durante boa parte da série ele reagia aos acontecimentos e seguia as orientações recebidas. Agora ele está alguns passos à frente, agindo com base em conhecimento que ninguém mais possui.

Essa nova vantagem estratégica fica evidente quando Baku reencontra o Nightmare do primeiro episódio. Na linha temporal anterior, esse inimigo foi responsável por desencadear um desastre que acabou gerando uma série de eventos cada vez mais graves. Desta vez, porém, a situação é completamente diferente. Baku já conhece as habilidades do adversário, entende seu estilo de combate e possui muito mais experiência do que antes. Usando a forma Catastrom, ele derrota o Nightmare rapidamente e utiliza o Recovery Capsem para restaurar o cenário destruído. A sequência funciona quase como uma demonstração clara de que o protagonista agora está operando em outro nível. É como se ele estivesse jogando novamente uma fase que já conhece, antecipando cada movimento do inimigo.

Essa mudança tem consequências imediatas para a linha temporal. Sem a explosão e o caos que aconteceriam originalmente, diversos eventos deixam de existir. A divisão policial dos casos obscuros, por exemplo, acaba sendo desmantelada, o que altera completamente o destino de personagens como Fujimi e Nasuka. A série deixa claro que pequenas mudanças podem gerar impactos enormes, o que adiciona uma nova camada de imprevisibilidade para os próximos episódios. Mesmo com conhecimento do futuro, Baku não pode garantir que cada detalhe ocorrerá exatamente como ele lembra.

Enquanto isso, no mundo dos sonhos, Nox e Nem observam a nova demonstração de poder de Baku e ficam visivelmente desconcertados. Para eles, tudo parece ter acontecido rápido demais. Ontem mesmo Baku parecia um agente inexperiente e agora derrota inimigos com facilidade. A interação entre Nox e Nem também revela nuances interessantes. Depois de abordá-la de forma agressiva, Nox percebe que ela também está perdida nessa situação e acaba suavizando sua postura. Ao se apresentar como alguém que apenas vaga pelos sonhos, ele mostra um lado mais humano do que normalmente demonstra.

Nem também vive um pequeno momento de reflexão que ajuda a aprofundar sua personagem. Durante boa parte da série ela parecia aceitar a ideia de existir apenas no mundo dos sonhos, ajudando outras pessoas enquanto permanecia presa ali. Neste episódio, no entanto, ela admite que talvez queira acordar no mundo real. Esse momento, embora discreto, reforça a importância dela dentro da narrativa e sugere que sua ligação com o conflito central da série ainda será muito explorada.

Enquanto essas interações acontecem, CODE começa a perceber que algo saiu completamente do controle. Zero e o Agente 3 discutem a situação e chegam a uma conclusão preocupante. O sonho de Baku deveria servir apenas como um método de treinamento, permitindo que ele acumulasse experiência rapidamente. O problema é que o processo funcionou bem demais. Ao desenvolver sonhos supostamente premonitórios, Baku não apenas adquiriu habilidades e experiência, mas também descobriu segredos da organização que jamais deveriam ter sido revelados a ele. O agente criado para servir ao plano agora se tornou um elemento imprevisível dentro dele.

A resposta da organização é imediata. O Agente 5 encontra Kureha , que vive normalmente sem memória de sua vida como agente. Sem qualquer sutileza, ele utiliza um Capsem de choque para restaurar à força as lembranças dela como Agente 6. A cena é curta e direta, mas deixa claro que CODE não pretende permitir que a situação saia do controle sem reagir. A forma como o Agente 5 resolve o problema também mostra que a organização está disposta a agir de maneira cada vez mais agressiva para manter seu plano intacto.

No mundo real, Baku tenta alterar outro ponto importante da história ao procurar Fujimi e Nasuka. Nesta nova linha temporal, os chamados casos obscuros simplesmente não aconteceram, e os dois policiais vivem em uma realidade completamente diferente daquela que Baku lembra. Quando ele tenta explicar que viu tudo em um sonho, a reação inicial deles é de descrença. Ainda assim, Baku demonstra conhecer informações que não teria como saber, incluindo fatos pessoais e acontecimentos que ainda não ocorreram. Essa demonstração não faz com que eles aceitem imediatamente a história, mas cria uma dúvida suficiente para que a possibilidade não seja descartada.

O episódio se encaminha para o final quando Baku finalmente coloca em palavras o que acredita ter acontecido. Aquilo que ele viveu não foi apenas um sonho. Foi uma premonição. A partir desse momento, sua missão muda completamente. Em vez de apenas reagir aos acontecimentos, ele decide agir para impedir que aquele futuro se torne realidade. Essa mudança redefine a dinâmica da série, transformando o protagonista em alguém que conhece o possível desfecho da história e precisa lutar contra ele.

Os acontecimentos anteriores não são descartados; pelo contrário, eles passam a funcionar como a base que permite a Baku agir com precisão agora. Ele sabe quem pode trair, conhece os perigos que estão por vir e entende melhor do que ninguém até onde CODE está disposto a ir para cumprir seus objetivos.

O mistério já não está apenas em descobrir o que está acontecendo, mas em acompanhar se Baku conseguirá realmente mudar o destino que viu. Mesmo com todo o conhecimento acumulado, o episódio deixa claro que alterar o futuro pode ser muito mais complicado do que simplesmente saber o que vai acontecer. E é justamente essa incerteza que cria a tensão necessária para o que vem pela frente em Kamen Rider Zeztz.

Nota: 8/10

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