O episódio 28 de Kamen Rider Zeztz desacelera o ritmo explosivo das últimas semanas para apostar em um desenvolvimento mais dramático e revelador. A trama avança ao explorar o passado de Sieg, consolidar o trio formado por Baku, Nox e Nem e, principalmente, reforçar os temas centrais da série: identidade, destino e o peso dos sonhos e pesadelos.
Logo no início, vemos Baku em sua forma Impact tentando resistir enquanto Nox e Nem fazem o possível para ajudá-lo. A intervenção de Sieg, forçando o downhenshin, não apenas interrompe o combate, mas também reforça o domínio psicológico que o vilão exerce sobre todos ao redor. Sieg não luta apenas com força, ele manipula emoções, traumas e medos. Sua fala sobre Nem ter nascido de um Nightmare e carregar o pecado desde o nascimento revela uma visão de mundo distorcida, construída a partir de dor e sofrimento.


O flashback de Sieg sendo torturado é um dos momentos mais fortes do episódio. A série sugere que sua visão sobre o mundo nasceu desse trauma: abraçar o pesadelo como forma de transformação. Para ele, o sofrimento não é algo a ser evitado, mas algo que deve ser aceito e expandido. Essa construção torna Sieg um antagonista mais complexo do que simplesmente um vilão caótico.
Enquanto isso, a estratégia de Zero e o Agente 3 mostra que o conflito dentro do CODE está longe de ser resolvido. A decisão de esperar uma abertura enquanto Sieg, Seven e Nox se enfrentam demonstra frieza e cálculo, mas também levanta dúvidas sobre até onde a organização está disposta a ir. O diálogo entre o Agente 3 e o Agente 5 sobre o Code Somnia é particularmente perturbador. A ideia de abandonar a humanidade para obter poder mostra que o verdadeiro perigo pode não estar apenas em Sieg, mas dentro do próprio CODE.
No esconderijo, o episódio desacelera para entregar um dos momentos mais humanos da temporada: o jantar entre Minami e Baku. A cena é simples, mas extremamente eficaz. Minami preparando a mesa dentro do Command Closet e dizendo que não tem medo quando se trata de proteger sua família reforça uma dinâmica rara em tokusatsu, onde a irmã mais nova assume o papel emocionalmente protetor. Quando ela pede para Baku não deixá-la sozinha e para que ele peça ajuda quando precisar, a série toca em um ponto sensível: Baku carrega tudo sozinho, e isso pode custar caro.


Essa sequência funciona como o coração do episódio. Não há explosões, não há transformação, apenas dois irmãos tentando manter alguma normalidade em meio ao caos. É um momento que humaniza os personagens e aumenta o peso dramático do que pode acontecer no futuro.
No Mundo dos Sonhos, a relação entre Nox e Nem continua evoluindo. Nox começa a reconhecer o valor dela, e Nem, por sua vez, demonstra confiança nele e em Baku. A explicação sobre a diferença entre Madame e Sieg no uso dos Nightmares é importante para a construção do universo. Enquanto Madame utiliza os pesadelos como ferramenta de proteção e controle, Sieg os usa como entretenimento, como uma forma de espalhar sofrimento e caos.
Essa diferença de filosofia reforça que, apesar de ambos usarem o mesmo poder, suas motivações são completamente distintas. Sieg não quer proteger nem controlar, ele quer que o mundo abrace o pesadelo. A revelação de que Sieg é o Agente 1 e que, junto com Madame, foi um dos primeiros experimentos do CODE em 2004 é um dos pontos mais importantes do episódio, pois evidencia que a organização sempre operou em uma zona moral questionável ao utilizar um criminoso condenado em um projeto tão sensível. A tensão entre Madame e Sieg já existia desde o início, e a recusa de Zero em removê-lo do projeto indica que havia interesses maiores por trás das decisões do CODE, reforçando a tragédia de um personagem que não nasceu como monstro, mas foi moldado por um sistema que tentou controlar algo que não compreendia.


O combate final entre Baku e Sieg mantém o alto nível das lutas da série e entrega um espetáculo visual carregado de simbolismo. A destruição da lua vermelha e o uso do Triple Buster seguido do Catastrom Crusher representam mais do que uma vitória momentânea, pois Baku literalmente quebra o cenário do pesadelo para libertar Nox, mostrando sua determinação em romper o ciclo imposto pelo CODE e pelos Nightmares. A sequência reforça o amadurecimento do protagonista e transforma a luta em um confronto ideológico, onde o sonho e o pesadelo se chocam diretamente.
O momento em que Baku retira o anel e afirma que não é mais o Agente 7, mas apenas Zeztz, é um dos pontos mais fortes do episódio. Ao abandonar o código e assumir sua própria identidade, ele rompe definitivamente com o sistema que o controlava e passa a agir de acordo com sua própria convicção. Nox percebe isso imediatamente e reconhece que ambos seguiram o mesmo caminho ao abandonar seus títulos para buscar seus próprios sonhos, criando uma conexão silenciosa entre os dois e consolidando o trio como uma verdadeira força narrativa dentro da série.


Nem reforça seu papel como elo emocional do grupo ao desejar bom dia a Nox, criando um raro momento de esperança antes da tensão retornar. A intervenção brutal de Sieg, que captura Nox e restaura a lua vermelha no céu, quebra esse instante de tranquilidade e lembra ao espectador que o pesadelo ainda está longe do fim. O encerramento com Sieg levando Nox de volta à prisão enquanto a Madame o alerta para aproveitar o momento cria uma atmosfera de ameaça constante e sugere que um plano ainda maior está em andamento.
No geral, o episódio 28 se destaca pelo equilíbrio entre ação, drama e construção de mundo. O passado de Sieg, o fortalecimento da relação entre Baku, Nox e Nem, e o avanço dos planos do CODE envolvendo o Code Somnia elevam o nível da narrativa e deixam claro que os próximos capítulos devem intensificar ainda mais os conflitos. Kamen Rider Zeztz mostra novamente que sua força está na construção de personagens e na forma como transforma dilemas emocionais em batalhas físicas, entregando um episódio sólido, intenso e narrativamente rico que prepara o terreno para acontecimentos ainda maiores.
Nota: 8/10

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