O décimo quinto episódio de Super Policial Gavan Infinity, A Verdade do Universo (The Truth of the Universe), começa em um nível de tensão que a série raramente assume logo de cara, e isso faz bem ao arco de Death Gavan. Abrir direto na Terra Λ8018 com Gavan Raiya enfrentando o vilão já coloca o espectador em modo de clímax, sem prólogo enrolado. A entrada de Gavan Bushido e, em seguida, de Gavan Infinity mantém essa energia lá em cima: são ótimas cenas de ação, com os três Gavans tentando segurar uma força que claramente os supera. Paralelamente, o subplot de Patran estudando para virar um Gavan é um toque simpático, dá continuidade a algo plantado antes e ajuda a mostrar o impacto da existência dos policiais do espaço em gente “comum”.
O problema é que, quando chega a hora da grande revelação, o episódio derrapa. A identidade civil de Death Gavan, Tesshin Mikage, interpretado por Ray Fujita, que parece estar usando um dos figurinos da franquia Garo, na qual é conhecido por interpretar o papel do Cavaleiro Makai Zero, aparece como um rosto que a série quase não trabalhou previamente. Falta aquele peso de “ah, era ele!”, que um bom mistério de longa duração deveria ter. Em vez de um choque, soa como “ok, é esse cara então”, o que esvazia parte da construção anterior.


A partir daí, a trama força um pouco a barra: Reiji topando ir com Mikage porque ele promete “contar a verdade” faz sentido em termos de curiosidade do personagem, mas o fato de os times de Infinity, Bushido e Raiya partirem imediatamente em perseguição gera uma luta que, embora divertida como set piece, parece motivada mais por conveniência de roteiro do que por evolução orgânica do conflito.
Ainda assim, o episódio se sustenta muito bem no que Gavan Infinity tem feito de melhor: interações entre núcleos e expansão de lore. Kiki e Koto são usadas de forma pontual, mas eficiente. O uso de múltiplos Gavarion Units, versões Dark de Gavarion Saber e Gavarion Drill, além da batalha no Espaço Makku, entrega um espetáculo visual que, aqui, tem bem mais cara de clímax do que boa parte das lutas mecha anteriores. A sensação de “todo mundo entrou em campo” funciona, dando ao episódio um ar de crossover interno que a temporada vinha construindo aos poucos.


No fim, é um capítulo de ótimas cenas de ação, boa química entre os diferentes times e um avanço claro no arco de Death Gavan e do tal “mal maior” do universo. Mas fica aquém do que poderia ser por dois motivos centrais: a revelação pouco impactante da identidade de Mikage e a forma como algumas decisões soam mecanicamente guiadas pelo roteiro, não pelos personagens. É um episódio que parece clímax, tem sabor de clímax em vários momentos, mas não entrega por completo a catarse que prometia desde a primeira aparição de Death Gavan.
Nota: 6/10

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