Depois da bomba narrativa do episódio anterior, Kamen Rider Zeztz chega ao capítulo 30 com a responsabilidade de dar respostas e, em grande parte, cumpre esse papel. O episódio é muito bom, emocionalmente forte e bem estruturado, mas também levanta uma preocupação clara. Até que ponto a série está disposta a ser realmente corajosa com suas próprias ideias? A revelação sobre Minami e sua ligação com Baku abre portas para caminhos muito mais complexos, mas o desfecho opta por uma resolução mais confortável do que ousada.
A origem de Minami como a Agente 17 da CODE é um dos pontos mais impactantes. O flashback mostra que seus pais eram agentes e que toda a estrutura familiar de Baku foi construída como parte de uma missão, um Show de Truman (The Truman Show) misturado com com a complexidade de livros de espionagem de John le Carré, mas com toda o tempero de filmes de James Bond. Ele não apenas não é filho biológico, ele foi inserido em uma família como objeto de proteção e monitoramento. A decisão de Zero de recrutar Minami ainda jovem e colocá-la na mesma função reforça o aspecto mais cruel da organização. O CODE não manipula apenas sonhos, manipula vidas inteiras. Ainda assim, o episódio suaviza esse impacto ao reforçar que os sentimentos de Minami são genuínos, o que funciona emocionalmente, mas reduz o potencial mais sombrio dessa revelação.


E é justamente aqui que mora o principal ponto de crítica. Se não houvesse um laço fraterno real entre Baku e Minami, o episódio poderia levar a série para um caminho muito mais complexo e desconfortável. A ideia de que toda a relação teria sido apenas uma missão, uma construção artificial sem afeto verdadeiro, colocaria Baku diante de uma ruptura psicológica muito mais profunda. Em vez disso, a narrativa escolhe reafirmar que, independente da origem, o vínculo é real. É uma decisão compreensível, que emociona, mas evita o risco.
Ainda assim, o episódio brilha na execução emocional e simbólica do conflito. O confronto final no Mundo dos Sonhos, com Minami fundida ao Nightmare, coloca Baku diante de uma escolha impossível. A resposta vem pelo sentimento e culmina na estreia da forma Orderm, que não destrói, mas restaura. É uma inversão poderosa do conceito apresentado até aqui. Se antes Baku quebrava sonhos, agora ele os reconstrói. A separação de Minami do Nightmare é um dos momentos mais fortes da série, tanto visual quanto narrativamente, e representa a vitória do vínculo humano sobre a manipulação do CODE e o niilismo de Sieg.


Por outro lado, nem tudo acompanha esse nível de impacto. O núcleo envolvendo Odaka chega ao episódio 30 sem justificar sua presença na trama. Há tentativas de aprofundamento, especialmente no embate ideológico com Fujimi, mas o personagem ainda parece deslocado, como se estivesse orbitando a história principal sem realmente influenciá-la. Em uma fase tão avançada da série, isso começa a pesar.
No fim, o episódio 30 é forte, emocionalmente eficaz e essencial, mas deixa a sensação de que poderia ter ido além. A reconciliação entre Baku e Minami é bonita, o café da manhã final funciona como símbolo de reconstrução, mas também reforça a escolha por um caminho mais seguro. Ainda assim, Kamen Rider Zeztz mantém consistência e domínio na construção de seus personagens e agora, com a verdade revelada e uma nova forma em jogo, a expectativa é que a série avance para conflitos ainda mais complexos.
Nota: 8/10

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