O episódio 36 de Kamen Rider Zeztz finalmente coloca a temporada em clima total de reta final. Depois da ativação do Code: Somnia, o Agente 3 deixa claro qual é sua visão sobre sonhos: eles não representam liberdade, mas sim desordem. E é justamente aí que o episódio trabalha seu principal conflito temático. Enquanto a CODE tenta controlar pensamentos, emoções e memórias, Baku continua defendendo os sonhos como o último espaço onde as pessoas podem ser quem realmente desejam ser.
A explicação sobre o funcionamento do Code: Somnia ajuda bastante a aumentar o peso da ameaça. Não é apenas um sistema de manipulação mental. Ele literalmente altera percepções e reescreve a realidade através dos sonhos. Isso explica porque Baku e Nem são tão perigosos para a CODE, já que ambos conseguem escapar desse controle graças à conexão que possuem com o Mundo dos Sonhos.
Mesmo sem o Driver, Baku continua sendo um dos protagonistas mais competentes da franquia recente. As cenas de ação sem transformação foram facilmente um dos pontos altos do episódio. O uso dos Capsems durante a invasão da base da CODE trouxe criatividade para as lutas e mostrou como Baku evoluiu como combatente ao longo da série. Ele não depende apenas da armadura para parecer ameaçador.


A luta contra o Agente 5 também funcionou muito bem porque existe um conflito emocional ali. O Agente 5 claramente não concorda totalmente com tudo que a CODE está fazendo, mas continua lutando porque acredita que abandonar a missão agora tornaria inúteis todos os sacrifícios dos agentes que morreram até aqui. Isso dá mais profundidade ao personagem e deixa o confronto mais interessante do que apenas mais uma batalha entre herói e vilão.
Enquanto isso, o Agente 3 finalmente assume de vez o papel de principal ameaça da temporada. A forma Enforce Lord System Booster foi apresentada de maneira muito eficiente, principalmente pelo fato de o Agente 3 literalmente roubar o espírito rebelde de Nox para aumentar seu próprio poder. E a cena final com Nox completamente manipulado pela CODE foi um dos momentos mais pesados do episódio.


O retorno de Sieg foi divertido e até faz sentido dentro da lógica da série. A ideia de que ele agora existe apenas nos sonhos encaixa perfeitamente na proposta de Zeztz. Ainda assim, sua participação pareceu mais uma ferramenta para entregar informações importantes do que algo realmente essencial para o episódio.
Ao mesmo tempo, começo a entender as críticas sobre os constantes resets e apagamentos de memória da série. No começo isso funcionava muito bem, mas repetir tantas vezes acaba diminuindo um pouco o impacto emocional de certas relações e acontecimentos. Muitos personagens parecem presos em ciclos de reconstrução constante.
Mesmo assim, o episódio termina deixando boas possibilidades para os próximos capítulos. Zero finalmente é salvo e revela que ainda possui os projetos do Driver na memória, preparando o retorno de Zeztz. E sinceramente? Depois de tudo que a série construiu sobre sonhos e distorção da realidade, a ideia de Baku eventualmente conseguir um Henshin sem Driver já não parece impossível.
Nota: 9/10

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