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Review: Episódio 35 de ‘Kamen Rider Zeztz’ traz morte de personagem e reforça o controle do CODE

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O episódio 35 de Kamen Rider Zeztz começa com uma falsa sensação de tranquilidade, usando o churrasco no mundo dos sonhos como contraste direto para o caos que está prestes a se instaurar. A chegada da Madame nesse cenário onírico reforça a ideia de que ainda existe um elo emocional entre os personagens, mas tudo é rapidamente quebrado quando o Agente 3 ativa o CODE: Somnia no mundo real. A “neve vermelha” não é só um efeito visual marcante, mas um símbolo do controle absoluto que começa a se espalhar, apagando memórias e distorcendo percepções. É um início forte, que vende bem a ameaça, mas também entrega um tom de artificialidade no ritmo.

Com o avanço do episódio, a narrativa aposta pesado na confusão coletiva: pessoas esquecem umas das outras, pesadelos deixam de ser reconhecidos como reais e a própria identidade dos personagens começa a se dissolver. Baku, mais uma vez, assume o papel de ponto de lucidez em meio ao colapso, percebendo que algo está errado quando até figuras próximas não o reconhecem. A ideia de transformar ameaças em algo “inofensivo” aos olhos da população é interessante no conceito, mas a execução parece simplificar demais o impacto, como se o roteiro quisesse resolver um problema complexo com uma solução rápida demais.

O confronto entre Baku, Madame e Nem é o coração emocional do episódio. Madame surge dividida entre sua missão e os resquícios de humanidade, criando um conflito que poderia ter sido muito mais explorado. Ainda assim, funciona o suficiente para dar peso ao embate, principalmente quando Baku insiste que Nem não é uma ameaça, mas sim alguém que inspira outras pessoas. Esse discurso reforça o tema central da série sobre sonhos e identidade, mas também evidencia uma repetição de fórmula que já vem sendo usada nos episódios anteriores.

A virada mais impactante acontece com a intervenção do Agente 3, selando o destino de Kureha de forma brutal e sem qualquer chance de redenção. Mesmo após demonstrar hesitação e dar sinais claros de que poderia mudar de lado, ela é descartada como uma peça defeituosa dentro do próprio sistema. Sua execução é fria, quase mecânica, acontecendo tanto no mundo dos sonhos quanto no real, onde seu corpo simplesmente se desfaz, um fim visualmente perturbador que reforça o nível de desumanização imposto pelo CODE.

Ainda que a cena cumpra bem o papel de chocar e estabelecer o Agente 3 como uma ameaça implacável, ela também evidencia uma fragilidade no roteiro. Kureha tinha potencial para ser uma das personagens mais complexas da trama, justamente por transitar entre dois lados do conflito, mas nunca recebeu o desenvolvimento necessário para que sua morte tivesse um impacto emocional mais profundo. No fim, sua queda pesa mais como símbolo, a prova de que o CODE elimina qualquer traço de humanidade, do que como uma perda genuinamente sentida dentro da história.

O clímax aposta em um dilema clássico, colocando Baku diante de uma escolha entre seu poder e a vida de inocentes. É uma decisão coerente com o personagem, que mais uma vez prioriza pessoas acima da missão, mas a forma como isso acontece soa conveniente demais. O Agente 3 se consolida como um antagonista odioso e manipulador, alguém que não só controla o jogo, mas também força os outros a jogarem pelas regras dele. Ainda assim, fica a sensação de que o roteiro enfraquece o protagonista para justificar esse domínio.

No geral, o episódio funciona mais como uma ponte narrativa do que como um grande ponto alto. Ele estabelece ameaças importantes, desenvolve o conceito do CODE: Somnia e posiciona o Agente 3 como peça central do conflito final, mas sacrifica ritmo e desenvolvimento de personagens no processo. Não é um episódio ruim, longe disso, mas claramente abaixo do padrão recente da série, principalmente pelo potencial desperdiçado em momentos-chave.

Nota: 6,5/10

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