Ninja Captor (忍者キャプター) é uma série que, apesar de apresentar diversas semelhanças com o universo Super Sentai, nunca fez parte oficialmente da franquia. Durante muitos anos, porém, a produção foi considerada por parte dos fãs como uma das possíveis integrantes da linhagem que futuramente daria origem ao conceito consolidado da franquia, principalmente por suas características visuais e narrativas. Exibida entre 7 de abril de 1976 e 26 de janeiro de 1977 pela TV Tokyo, a série foi produzida pela Toei Company em uma época marcada pelo grande sucesso dos heróis em equipe, período em que Himitsu Sentai Gorenger (秘密戦隊ゴレンジャー, 1975) ainda estava em exibição.
Embora Ninja Captor compartilhasse diversos elementos com Gorenger, como o conceito de uma equipe formada por heróis coloridos, símbolos nos capacetes e habilidades relacionadas às características de cada integrante, a produção seguiu um caminho separado. Um dos principais motivos para sua ausência na franquia Super Sentai foi o fato de ter sido exibida por uma emissora diferente, a TV Tokyo, enquanto as produções reconhecidas oficialmente da franquia estavam ligadas à NET (atual TV Asahi). Além disso, a série possuía uma proposta visual própria, com uniformes mais simples, baseados em trajes semelhantes a roupas ninjas modernas, e com os próprios atores realizando grande parte das cenas de ação.
Outro elemento que diferenciava Ninja Captor estava na forma como seus inimigos eram apresentados. Ao contrário de muitas produções de tokusatsu da época, que utilizavam monstros interpretados por atores dentro de fantasias, grande parte dos adversários da série era formada por vilões interpretados por atores maquiados, criando confrontos mais próximos de um combate entre ninjas. Essa escolha permitia que a produção explorasse mais cenas de luta corporal antes das transformações e reforçava a identidade da série como uma aventura ninja.


Mesmo não sendo reconhecida oficialmente como parte da franquia Super Sentai, Ninja Captor chegou a aparecer em algumas publicações relacionadas ao gênero durante os anos seguintes. A série foi incluída ao lado de Himitsu Sentai Gorenger e J.A.K.Q. Dengekitai (ジャッカー電撃隊, 1977) em materiais como o Bioman Guidebook (超電子バイオマン大百科) e o Dynaman Guidebook (科学戦隊ダイナマン スーパー戦隊大百科). Essas referências provavelmente refletem um período em que a definição do conceito de “Super Sentai” ainda estava em desenvolvimento, fazendo com que algumas publicações tratassem diferentes equipes de heróis como parte de uma mesma linha.
A produção também se destacou por apresentar, na época, uma das maiores equipes de heróis da televisão japonesa, com sete integrantes originais e personagens com idades bastante variadas, indo dos 15 aos 45 anos. Cada membro possuía uma cor, um número e um símbolo relacionados à sua especialidade ninja. Diferente de Gorenger, que utilizava mais equipamentos e veículos especiais, Ninja Captor apostava principalmente em artes marciais, técnicas ninjas e combates físicos. A série também serviu como uma espécie de ponte para outras produções da Toei, influenciando trabalhos posteriores como Kaiketsu Zubat (快傑ズバット, 1977).
Na história, Daisuke Izumo, interpretado por Daisuke Ban (também creditado em algumas produções como Naoya Ban), era um integrante do Exército Secreto do Demônio do Vento, uma organização liderada por Retsufuu Fuuma que pretendia conquistar o Japão. Em vez de se juntar aos seus planos, ele foge e se torna o líder dos Captor, uma equipe de ninjas supervisionada por Mujin Tendou.


Sob a liderança de Daisuke, os Captor enfrentam os guerreiros enviados pelo General do Demônio do Vento, interpretado por Shinzo Hotta. O ator Dasiuke Ban ficou conhecido posteriormente por interpretar Makoto Jin/Battle Cossack em Battle Fever J (バトルフィーバーJ, 1979), além de protagonizar personagens marcantes como Jiro/Kikaider em Kikaider (人造人間キカイダー, 1972) e Goro Watari/Inazuman em Inazuman (イナズマン, 1973).
Com seus sete heróis, temática ninja e uma forte presença de artes marciais, Ninja Captor acabou ficando em uma posição curiosa dentro da história do tokusatsu. Mesmo não sendo uma integrante oficial dos Super Sentai, a série representa uma importante fase de experimentação da Toei com equipes de heróis, ajudando a construir elementos que se tornariam comuns no gênero nas décadas seguintes.
Curiosidades: de Zenkaiger à inspiração para Mega Man
Uma das curiosidades envolvendo Ninja Captor surgiu décadas depois, em Kikai Sentai Zenkaiger (機界戦隊ゼンカイジャー, 2021). Na série, Isao Goshikida, interpretado por Daijiro Kawaoka, assume a identidade de Hakaizer após ser sequestrado e sofrer lavagem cerebral pelo Império Tojitendo. O personagem chamou a atenção dos fãs por apresentar um visual que remetia diretamente ao design e ao esquema de cores de Ka Nin Captor 7, a forma transformada de Daisuke Izumo, protagonista de Ninja Captor.
Outra curiosidade envolvendo a série está relacionada a uma das maiores franquias dos videogames. Mega Man, conhecido no Japão como Rockman (ロックマン), estreou em 1987 e se tornou um dos personagens mais populares da história da indústria dos jogos eletrônicos. A mecânica principal da franquia, em que o protagonista adquire as armas dos chefes derrotados e passa a utilizar diferentes poderes, possui uma relação curiosa com Ninja Captor.
Durante o desenvolvimento do primeiro jogo, Akira Kitamura, criador da franquia Mega Man, revelou que a ideia inicial era fazer com que o personagem tivesse sua aparência completamente alterada sempre que utilizasse uma nova arma. O conceito foi inspirado, em parte, pela forma como os integrantes de Ninja Captor possuíam diferentes cores e símbolos associados às suas habilidades.


Em entrevista ao livro Rockman Maniax, em 2011, Kitamura explicou:
“No começo, eu imaginava um personagem como Mega Man equipado com algum tipo de arma, mas quando você se transformava, toda a sua aparência mudaria. Sabe aquele pequeno ressalto na parte frontal do capacete de Mega Man? Quando você trocasse de arma, ele deveria mudar como os capacetes dos personagens de Ninja Captor, mostrando um pequeno símbolo dependendo do elemento da arma (fogo, água, raio etc.).”
Apesar da ideia, a equipe de desenvolvimento decidiu não utilizar elementos visuais semelhantes aos da série japonesa, temendo possíveis problemas relacionados a direitos autorais. Como alternativa, o programador Matsushita criou o sistema de mudança de cores de Mega Man de acordo com a arma equipada. A solução acabou se tornando uma das características mais marcantes do personagem e foi expandida décadas depois em Mega Man 11, quando partes do capacete e do braço do herói também passaram a mudar visualmente conforme o poder utilizado.
Dessa forma, Ninja Captor acabou deixando sua marca na cultura pop japonesa, sendo lembrada por sua proposta diferenciada de heróis ninjas, pelo uso de artes marciais e por sua importância dentro da evolução das produções de equipe da Toei, além de possuir uma curiosa ligação com uma das franquias mais importantes dos videogames.
Confira o primeiro episódio no canal Toei Tokusatsu World Official:

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