Depois do inevitável episódio de recapitulação, Kamen Rider Zeztz retoma o ritmo exatamente onde precisava. O episódio 45 pega tudo o que foi construído na semana anterior e transforma em uma história emocionante sobre memória, identidade e a força dos laços criados ao longo da série. Mais do que preparar o terreno para a reta final, ele finalmente recompensa o espectador por acompanhar a jornada de Baku e Nem desde o primeiro episódio.
O mundo perfeito criado pela Madame é um dos pontos altos do capítulo. À primeira vista, tudo parece exatamente como Nem sempre sonhou: ela continua sendo uma atriz de sucesso, vive ao lado da mãe e está cercada por pessoas familiares. Só que nada parece realmente vivo. Aos poucos, o cenário começa a desmoronar conforme Oblivion apaga cada pedaço daquela falsa realidade, mostrando que nem mesmo os próprios vilões compartilham os mesmos objetivos. Enquanto a Madame deseja aprisionar Nem em uma felicidade artificial, Oblivion quer simplesmente consumir tudo. É uma dinâmica interessante que dá mais personalidade aos antagonistas nesta reta final.


Outro acerto é como a série reutiliza personagens conhecidos sem que pareça apenas fanservice. Minami, Nasuka, Fujimi e Nox aparecem exercendo novos papéis dentro da ilusão, reforçando a ideia de que, mesmo sem suas lembranças, Nem continua carregando essas pessoas dentro de si. São pequenos detalhes que deixam claro o cuidado do roteiro na construção desse universo.
Mas é claro que o episódio pertence a Baku. Sua entrada salvando Nem já funciona muito bem, mas o verdadeiro impacto vem depois. Enquanto golpeia Oblivion, cada ataque devolve uma lembrança perdida à protagonista, uma solução simples, visualmente eficiente e que conversa perfeitamente com a temática da temporada. O reencontro dos dois é conduzido sem exageros, deixando que o peso emocional fique por conta da própria relação construída ao longo da série.


E então vem a cena final. Depois de acordar na sala da Zeztz, Nem finalmente reencontra Baku no mundo real. Não há grande discurso, não há explosões e nem uma música tentando forçar emoção. Apenas três palavras: Eu te encontrei. É impressionante como uma frase tão simples consegue carregar tanto significado depois de toda a jornada dos personagens. Facilmente um dos momentos mais bonitos de Zeztz até aqui.
Se existe alguma crítica, talvez seja o fato de a luta contra Oblivion terminar rápido demais, já que o foco claramente está na recuperação de Nem, e não na batalha em si. Ainda assim, isso pouco atrapalha o conjunto, porque o verdadeiro conflito do episódio nunca foi físico, mas emocional.
Depois de um pequeno tropeço na semana passada, Kamen Rider Zeztz volta aos trilhos com um episódio sensível, bem dirigido e que entrega exatamente o que precisava. Com Nem recuperada e Baku finalmente cumprindo sua promessa, a série deixa claro que a batalha final pode começar.
Nota: 9/10

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