O nono episódio de Ultraman Teo é um dos capítulos mais emocionalmente ressonantes da temporada. A história começa com ação imediata e um voo de Pucchi visualmente bonito, que rapidamente se transforma em uma cena de dor e vulnerabilidade. Depois de todo um arco dedicado à construção de laços afetivos com o mini kaiju, vê-lo ferido funciona como um soco no estômago. A batalha contra Volthog também ganha tensão pela ausência de Teo, obrigando Pucchi a enfrentar praticamente sozinho uma ameaça que claramente o supera.
A escolha muda a posição de Pucchi dentro da história. Ele deixa definitivamente de ser apenas o mascote protegido pelo clube de astronomia e passa a assumir riscos por aqueles que aprendeu a considerar sua família. Suas transformações continuam diretamente relacionadas ao estado emocional do grupo, fazendo com que o personagem funcione como um reflexo dessas relações. Quando Pucchi sofre, todos sofrem. Quando encontra forças para se levantar, o grupo também precisa encontrar as suas.


Enquanto o confronto acontece, o episódio desenvolve um núcleo igualmente importante com Ibuki e Rintaro. A revelação de que Rintaro não conseguiu entrar em medicina e escolheu veterinária como segunda opção acrescenta uma camada bastante humana ao personagem. Mais interessante ainda é descobrir que ele sente medo de animais apesar do curso que escolheu. A contradição não é transformada em piada ou tratada como simples fraqueza, mas como uma insegurança real que ele precisa compreender antes de decidir qual caminho deseja seguir.
É nesse ponto que a relação entre Ibuki e Rintaro cresce de maneira especialmente natural. A comédia envolvendo Ibuki e os porquinhos-da-índia mantém a leveza, mas também coloca o alienígena que ainda tenta compreender os costumes humanos na inesperada posição de conselheiro emocional. Os dois se aproximam sem grandes discursos ou mudanças instantâneas. São apenas duas pessoas compartilhando inseguranças e encontrando conforto nessa vulnerabilidade, enquanto Ibuki também amadurece como estudante de veterinária e como amigo.
O clube de astronomia, por sua vez, quer ajudar Pucchi, mas ainda não compreende completamente como fazê-lo assumir sua forma gigante. Essa limitação é importante porque transforma a evolução do mini kaiju em algo ligado à compreensão emocional e ao trabalho em equipe, não simplesmente à aquisição de um novo poder. Por isso, o momento em que Rintaro finalmente consegue despertar essa força é tão satisfatório. Ver Teo e Pucchi lutando juntos funciona não apenas como espetáculo, mas como consequência direta de tudo o que os personagens construíram até ali.


A resolução também reforça uma característica que Ultraman Teo vem desenvolvendo muito bem. Nem todo conflito precisa terminar com a destruição de um kaiju. Para sustentar essa proposta, porém, a série precisa construir razões convincentes para que seus personagens encontrem outras soluções, e até aqui tem conseguido fazer isso sem recorrer constantemente a saídas fáceis. A ação contra Volthog é intensa, pesada e visualmente impressionante, mas funciona principalmente porque está conectada ao drama. Pucchi está ferido, Rintaro precisa superar suas próprias limitações e Teo não pode resolver tudo sozinho.
A decisão de Rintaro de seguir o caminho da pesquisa em vez da clínica fecha muito bem seu desenvolvimento. O episódio apresenta uma mensagem educativa interessante ao mostrar que uma faculdade não conduz necessariamente a uma única profissão. Mudar de objetivo não significa fracassar. Ao mesmo tempo, a UTTF continua demonstrando uma postura fria diante das pessoas. Depois dos acontecimentos do episódio anterior, cresce a sensação de que a organização pode assumir uma posição cada vez mais antagônica. Não necessariamente por ser má, mas porque sua lógica institucional parece colocar objetivos e resultados acima do impacto humano de suas decisões.
O episódio reúne crescimento de personagens, excelente ação e um coração enorme. Ultraman Teo continua mostrando que sua maior força está em tratar relações, medos e responsabilidades com seriedade sem abandonar o espetáculo do gênero. O episódio transforma a vulnerabilidade de Pucchi e Rintaro em força, aproxima ainda mais os integrantes do clube e encontra um equilíbrio raro entre ação, drama e expansão de universo. Depois de nove episódios, fica cada vez mais evidente que o desenvolvimento humano não é apenas um complemento da série, mas o verdadeiro motor de sua história.
Nota: 9/10

Você precisa fazer login para comentar.