O décimo sétimo episódio de Super Policial Gavan Infinity, Em nome dos sorrisos (For the Sake of Smiles), é mais uma prova de que, quando a série se concentra no núcleo de Kiki, Koto e Fade, o resultado raramente decepciona. Aqui, o foco está totalmente nesse universo específico: nada de grandes conspirações cósmicas, nada de multiversos em colapso, apenas um “caso” que, por trás do tom cômico, esconde uma história bastante humana.
A premissa da “encomenda gigante”, que na verdade é um meteoro embalado em uma caixa de papelão, é deliberadamente absurda e nunca chega a ser realmente tensa, mas funciona como motor narrativo para colocar todos esses personagens em movimento. O episódio também corrige uma reclamação recorrente desse núcleo: a inutilidade de Reiji quando o foco está em Kiki e Koto. Aqui, ele finalmente tem um papel relevante dentro da trama delas. Depois de tantos capítulos em que apenas aparecia para cumprir tabela, segurar o meteoro usando o novo poder e mecha adquirido no episódio anterior dá a ele uma função clara: ser a peça que falta para resolver o problema físico enquanto o coração dramático permanece em terra com a dupla forense e o ladrão fantasma.


A sequência da Cosmo Gavarion ACE-GO segurando, reposicionando e devolvendo o “pacote” é cômica na medida certa e encaixa bem no tom do episódio. Ainda assim, o centro emocional está em Fade. Ao entendermos que por trás do ladrão cheio de estilo existe Yu Nusumi, um neto que vive em uma casa simples cuidando da avó com provável demência, o personagem ganha uma densidade que reposiciona tudo o que já vimos dele. Faz sentido que ele se sensibilize com o desespero do garoto que, por medo de ser preso e deixar a avó sozinha, recorre a um criminoso em vez da polícia.
A motivação de Yu deixa de ser apenas a de um “ladrão charmoso com código próprio” e passa a dialogar com vulnerabilidade, culpa e responsabilidade familiar. O fato de ele se deixar capturar porque precisa da ajuda dos Gavans para algo maior reforça essa ambiguidade: ele existe na fronteira entre o fora da lei e alguém que genuinamente se importa com os outros. O episódio equilibra bem esse lado mais pessoal com a comédia leve: o absurdo burocrático da loja que não aceita a devolução do meteoro, o carimbo usado para “devolver ao remetente” um objeto que poderia destruir meio planeta e o jogo de perguntas e respostas entre Kiki, Koto e Fade na cela. Tudo isso cria um clima descontraído que nunca desrespeita o drama de fundo.


Os momentos finais, com Yu jantando Katsudon com a avó e mantendo a ilusão para confortá-la, enquanto Kiki e Koto também compartilham Katsudon do lado de fora, amarram muito bem o tema do episódio: fazer esforços e pequenos sacrifícios pelo bem dos sorrisos de quem amamos. Em nome dos sorrisos é, no fim, um episódio menor em escala, mas grande em humanidade. Desenvolve Fade de forma decisiva, reforça o carisma do núcleo de Kiki e Koto, finalmente dá a Reiji um papel relevante dentro de uma história centrada nelas e dosa comédia e emoção com bastante segurança.
Nota: 9/10

Você precisa fazer login para comentar.