Depois de um ótimo episódio dedicado à conclusão do arco de Sieg, Kamen Rider Zeztz desacelera completamente para entregar o tradicional episódio de recapitulação da temporada. A diferença é que, desta vez, a retrospectiva faz parte da própria narrativa: enquanto Oblivion apaga a existência do mundo, Nem perde suas memórias pouco a pouco, esquecendo cada pessoa importante de sua vida. É uma ideia interessante e muito melhor do que simplesmente interromper a história para mostrar cenas antigas, mas ainda assim não consegue escapar da sensação de que boa parte do episódio poderia ter sido resolvida em poucos minutos.
O grande mérito está justamente na forma como a recapitulação é construída. Em vez de apenas rever acontecimentos, acompanhamos Nem esquecendo Sieg, Nox, Baku e todos os outros personagens. Cada despedida representa mais um pedaço de sua identidade desaparecendo, criando um clima melancólico que funciona bem, principalmente graças à atuação de Maho Horiguchi (Nem).


Entre esses momentos, o destaque fica para Sieg. O episódio acrescenta uma última camada ao personagem ao revelar que, no fundo, ele sempre desejou encontrar alguém capaz de puni-lo por toda a vida de crimes que foi obrigado a viver. Nem acaba sendo essa pessoa não por derrotá-lo, mas por representar exatamente o oposto de tudo aquilo que ele conhecia. É uma conclusão simples, mas coerente com a direção que o personagem tomou no episódio anterior.
Também é interessante descobrir que Oblivion nasceu do subconsciente de Nem como uma resposta ao sofrimento causado por Sieg. Ao mesmo tempo, a Madame acredita sinceramente que apagar todas as lembranças e criar um novo mundo é a única forma de proteger sua “filha”. Isso reforça que sua obsessão já ultrapassou qualquer conceito de amor e se tornou puro controle e possessividade, algo que certamente deve ganhar mais destaque na reta final.
O problema é que, apesar dessas boas ideias, o episódio estica demais uma história que não tinha material suficiente para preencher quase 25 minutos. Grande parte da duração é ocupada por cenas já conhecidas e, embora exista um contexto novo para elas, a narrativa praticamente estaciona. Em uma reta final que vinha ganhando ritmo, essa pausa acaba sendo sentida.


Ainda assim, há um detalhe que gostei bastante: Nem esquece as pessoas em ordem crescente de importância emocional. Primeiro Nox, depois Sieg e, por último, Baku. É uma escolha simples, mas que reforça naturalmente o vínculo construído entre os dois protagonistas desde o início da série. Quando Baku desaparece declarando mais uma vez que “os sonhos superam os pesadelos”, fica evidente qual é o verdadeiro coração de Zeztz.
No fim das contas, este é um daqueles episódios que funcionam mais como preparação para o próximo do que como uma história completa. A proposta é criativa, a execução é competente, mas o ritmo sofre por dedicar um episódio inteiro a algo que poderia ter sido contado de forma muito mais enxuta. Não chega a ser um episódio ruim, apenas um freio de mão puxado justamente quando a temporada parecia acelerar rumo ao clímax.
Uma recapitulação elegante e integrada à trama, mas que sacrifica o ritmo da reta final em troca de uma ideia que não precisava ocupar um episódio inteiro.
Nota: 7,5/10

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