Poucas coisas na cultura pop são tão interessantes para quem acompanha mais de uma franquia quanto ver dois universos diferentes dividindo uma mesma história. Foi exatamente essa sensação que tive quando Justice League/Power Rangers foi anunciado. Afinal, o que poderia acontecer quando os Mighty Morphin Power Rangers encontrassem a Liga da Justiça?
A história começa no universo dos Power Rangers, quando a equipe descobre que Alpha desapareceu. O sumiço, porém, é apenas uma distração para que Lord Zedd consiga invadir o Centro de Comando. Durante o confronto com Zack, o Ranger Preto, os dois acabam atravessando uma dimensão e chegam a um universo onde super-heróis fazem parte do cotidiano. Os demais Rangers seguem para o mesmo local em busca de Zack e acabam encontrando a Liga da Justiça.

É a partir daí que Justice League/Power Rangers começa a brincar com uma ideia que, por si só, já é suficiente para despertar a curiosidade: o que acontece quando os Rangers encontram Super-Homem, Batman, Mulher-Maravilha, Flash, Lanterna Verde e Cyborg?
Publicada originalmente em 2017, a minissérie tem seis edições, com roteiro de Tom Taylor e arte de Stephen Byrne, em uma parceria entre a BOOM! Studios e a DC Comics. A premissa não demora a colocar os personagens em situações que dificilmente veríamos em suas histórias individuais.
O que mais gosto na proposta é que o crossover não tenta transformar uma franquia na outra. Os Rangers continuam sendo os Rangers, enquanto a Liga continua sendo a Liga. A graça está justamente em colocar esses personagens em situações que normalmente não aconteceriam.


E algumas interações funcionam muito bem. Batman encontrando adolescentes uniformizados que pilotam robôs gigantes é uma daquelas situações que praticamente se escreve sozinha. Ao mesmo tempo, os Rangers não ficam reduzidos a simples convidados. Eles participam diretamente do conflito e continuam sendo importantes para a história.
Lord Zedd também encontra um novo aliado, oriundo do universo do Super-Homem, interessado na Alameda dos Anjos por motivos próprios. A partir daí, a ameaça deixa de ser apenas uma questão de fazer os Rangers voltarem para casa e passa a envolver os dois universos.
A história, porém, é relativamente simples. Não há muito espaço para um desenvolvimento mais profundo dos personagens, e algumas situações poderiam ser exploradas com mais calma. São muitos personagens para apenas seis edições. Além da equipe principal dos Rangers e da formação da Liga da Justiça, outros heróis aparecem durante a aventura, fazendo com que algumas participações sejam mais rápidas do que poderiam.


Por outro lado, acho que isso também ajuda a história a cumprir seu objetivo. Justice League/Power Rangers não parece querer reinventar nenhuma das duas franquias. É um crossover feito para colocar esses personagens juntos e aproveitar justamente as possibilidades que surgem desse encontro.
A arte de Stephen Byrne acompanha bem essa proposta, com um estilo bastante cartunesco e simples, que combina com a mistura entre os dois universos. As capas também são um dos pontos que mais chamam atenção, principalmente pela possibilidade de colocar os personagens das duas franquias lado a lado.

E é justamente aí que Justice League/Power Rangers funciona para mim. É divertido ver personagens que conhecemos há décadas dividindo uma mesma história e descobrir como eles reagem uns aos outros. É o tipo de crossover que parte de uma ideia que parece impossível até alguém realmente decidir colocá-la no papel.
O quadrinho continua inédito no Brasil. Por aqui, porém, já tivemos os dois primeiros crossovers entre Power Rangers e Tartarugas Ninja, publicados pela Pipoca & Nanquim. Os quadrinhos de Power Rangers também foram publicados pela Indievisível, embora a publicação esteja pausada atualmente. Já os quadrinhos da DC Comics são publicados no Brasil pela Panini.

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