Olá, pessoal! Aqui é César Filho, autor do Blog Daileon. Esta é uma reedição da Coluna do Daileon, pela qual assinei publicações entre 2018 e 2023 pelo site JBox. Como nos velhos tempos. Antes de tudo, o meu muito obrigado aos grandes Giuzão, Kuroda e Naressi pelo convite. Sem mais delongas, vamos ao que interessa. 🙂
De longe, o Project R.E.D. (Records of Extraordinary Dimensions) é um dos assuntos mais importantes do tokusatsu em 2026. Até o momento, em menos de um ano, tivemos duas séries lançadas pela Toei Company. Nós, brasileiros, somos agraciados por termos Super Policial do Espaço Gavan Infinity (超宇宙刑事ギャバン インフィニティ, 2026) e Kakusei Hunter Omegahorn (角醒ハンター オメガホーン, 2026) de forma oficial, ambas licenciadas pela Sato Company.

O Project R.E.D. é, talvez, a franquia mais ambiciosa dos últimos tempos. Isso porque as outras grandes franquias de tokusatsu surgiram de forma muito natural e não tiveram, inicialmente, a intenção de gerar novas produções. Diferente de Ultraman, Kamen Rider, Super Sentai e Metal Hero, que surgiram de forma experimental, o Project R.E.D. nasceu com o propósito de se firmar como uma marca de longo prazo da Toei.
A necessidade surgiu com o hiato das séries Super Sentai. Uma verdadeira tradição que durou cerca de 50 anos, quase ininterruptos, pela TV Asahi. Tradição essa que criou a franquia nipo-americana Power Rangers. As duas marcas eram um só produto no mercado e eram interdependentes, até o fim da parceria entre Toei e Hasbro em 2023.

Sem Power Rangers, o Super Sentai não teve mais o mesmo rendimento nas vendas, o que ocasionou a decisão da Toei de pausar a franquia por cerca de 10 anos, pelo menos essa é a promessa de Shinichiro Shirakura, diretor executivo sênior da empresa e responsável pelo Departamento de Estratégia de Personagens da Toei. Por um lado, os fãs sentiram falta de ver uma nova série dos heróis multicoloridos anualmente. Era algo de que tínhamos certeza de que aconteceria por volta de meados de fevereiro ou março.
Por outro lado, a Toei não tinha como exportar Super Sentai devido às amarras contratuais com a Hasbro, que adquiriu os direitos de todas as séries, incluindo até mesmo as que jamais foram adaptadas para Power Rangers. A solução mesmo era criar algo novo, mais ousado. Com o tempo, estamos vendo esse passo a passo acontecer. A Toei está inovando com uma estratégia: produzir duas séries do Project R.E.D. por ano. Ou seja, cada série terá aproximadamente seis meses de duração.
Vingadores da Toei?
Gavan Infinity teve apenas 23 episódios. Talvez fosse tempo suficiente para desenvolver os três heróis principais, de diferentes partes do multiverso. O problema da primeira série foi criar heróis secundários que não acrescentaram em nada à trama, deixando os protagonistas com menos tempo. Isso sem contar que sequer houve uma ligação dos novos Policiais do Espaço com o Gavan original, de 1982. Apenas referências e nada mais.
Segundo informações extraoficiais, Omegahorn deve ter 25 episódios, chegando ao fim no final de janeiro de 2027. O formato é meio atípico das séries tokusatsu convencionais, com bastante referências ao mangá/animê Pokémon (embora não haja confirmação oficial por parte da Toei, mas está na cara, né?) e vem agradando. Já podemos ver a intenção da Toei tomar forma: conectar as séries entre si. É apenas a “ponta do iceberg”.

O possível ponto de conexão entre as séries é o Reiji Doki, alter ego do Gavan Infinity, que desapareceu após o fim da série. Surge então uma “versão sombria” do personagem. Quem está acompanhando Omegahorn já percebe que os dois Reiji são a mesma pessoa, mas não sabemos ainda o motivo de tal mudança. O que realmente aconteceu? Saberemos muito provavelmente nas próximas semanas.
Como o próprio Shirakura já explicou em recente entrevista, “Não se trata de dizer que Gavan foi um sucesso ou de julgar agora como Omegahorn se saiu. O verdadeiro valor desta série provavelmente só se tornará visível daqui a dois ou três anos”. Foram justamente essas palavras que me fizeram refletir um pouco mais sobre a proposta do Project R.E.D. em si.

Acho que Gavan Infinity foi uma série mediana e Omegahorn superou a imagem de uma mera série infantil. Mas ambas as séries ainda têm muito que ser contado através das próximas produções da nova franquia. Tudo é questão de tempo, paciência e boa vontade da Toei em acertar.
O tempo vai dizer se a produtora acertou ou não. Enquanto isso, vamos curtindo e vendo os desdobramentos.
O texto nesta coluna é de responsabilidade de seu autor.

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