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Review: ‘Kiba’, livro nacional inspirado em tokusatsu, entrega uma estreia intensa e promissora

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Recebemos há um tempo um presente de um querido amigo e ouvinte do Tokucast e há um tempo devíamos uma resenha de seu projeto.

Hideki Tachibana é um adolescente forte, com senso de justiça, mas ainda confuso sobre si mesmo. Sua vida muda completamente quando se depara com o desconhecido e transmuta em um ser misterioso. O garoto precisará combater terríveis ameaças mutantes que o desafiam e em meio a essa jornada cheia de perigos precisará se encontrar e descobrir quem ele realmente é. Kiba foi inspirado nas séries do gênero tokusatsu e oferece uma história autêntica cheia de reviravoltas.

A história de Kiba carrega fortes influências de Kamen Rider Black (仮面ライダーBLACK, 1987), principalmente no tom mais sombrio e no peso dramático do protagonista, ao mesmo tempo em que dialoga com o clima juvenil e escolar de Kamen Rider Fourze (仮面ライダーフォーゼ, 2011). Essa mistura funciona muito bem e cria uma identidade interessante logo em seu início.

O ritmo é frenético e envolvente, com muito mistério e construção gradual de seu universo, algo digno de uma boa estreia dentro da franquia Kamen Rider na era Heisei (1989-2019). A narrativa entrega exatamente o que o fã do gênero espera, incluindo aquele clássico gancho de continuação ao final, muito característico das produções da Toei Company, deixando sempre o gosto de quero mais.

Outro ponto interessante é que a leitura me lembrou de Zetman, de Masakazu Katsura, perceptível principalmente na forma como o protagonista é jogado em uma realidade violenta e precisa amadurecer rapidamente diante das circunstâncias.

Kiba é uma história envolvente que, apesar de ambientada no Japão, apresenta relações interpessoais e um ambiente escolar que podem facilmente remeter a narrativas ocidentais. Isso acontece porque os clichês e dinâmicas típicas do cotidiano escolar são praticamente universais, tornando a identificação com os personagens algo natural para o leitor.

A escrita de Emanuel Costa é objetiva e de fácil leitura, o que contribui para o ritmo dinâmico da obra. O autor consegue transmitir bem o sentimento de cada cena, fazendo com que o leitor acompanhe e sinta o peso das provações enfrentadas por Hideki ao longo da narrativa.

Por se tratar da primeira parte de uma história, o ritmo acelerado acaba criando uma pequena armadilha narrativa em alguns momentos, especialmente no desenvolvimento de certas cenas e relações. Ao mesmo tempo, essa escolha contribui para uma leitura dinâmica e envolvente, ainda que em alguns trechos falte um pouco mais de detalhamento ou variação na forma como os acontecimentos são descritos. Esse equilíbrio entre agilidade e aprofundamento poderia ser melhor explorado, o que potencializaria tanto o impacto emocional quanto as sequências de ação, mas ainda assim a construção geral cumpre bem seu papel e nos deixa ansiosos pela continuação.

O fandom de tokusatsu no Brasil sempre foi muito ativo na criação de conteúdo, seja em vídeos, podcasts ou projetos independentes, e ver isso se transformar em uma obra literária como Kiba, publicada pela Páginas Editora, é algo que merece reconhecimento.

No fim, o primeiro volume cumpre muito bem seu papel. Prende, envolve e deixa o leitor interessado no que vem a seguir. Kiba é uma estreia promissora, feita por alguém que claramente é fã do gênero e sabe trabalhar suas referências sem perder identidade própria.

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