25 de janeiro de 1938 nascia Shotaro Ishinomori, o homem que não apenas redefiniu o mangá, mas ajudou a moldar o próprio conceito de herói no Japão. Conhecido como o Rei do Mangá, seu nome está diretamente ligado à criação de universos que atravessaram gerações, especialmente dentro do tokusatsu, onde sua influência permanece viva até hoje. Ainda na infância, encontrou no desenho uma forma de contar histórias, muitas vezes motivado por sua relação com a irmã mais velha, cuja fragilidade de saúde marcou profundamente sua sensibilidade e ajudou a construir o tom humano e melancólico presente em muitas de suas obras.
Iniciando sua carreira ainda nos anos 1950, Ishinomori foi assistente de Osamu Tezuka, absorvendo não apenas técnica, mas também a visão de que o mangá poderia ir muito além do entretenimento infantil. Já nos anos 1960, começou a se destacar com obras como Cyborg 009 (サイボーグ009, 1964) e Sabu to Ichi Torimono Hikae (佐武と市捕物控, 1966), consolidando seu nome como um dos autores mais inovadores de sua geração.
Sua produção era tão vasta quanto diversa. Ishinomori transitava entre ficção científica, drama histórico, humor e até obras educativas, sempre com uma identidade visual marcante e narrativa dinâmica. Trabalhos como 009-1 (009ノ1, 1967) e Sarutobi Ecchan (さるとびエッちゃん, 1971) demonstravam sua versatilidade e reforçavam seu domínio sobre diferentes públicos.


Foi a partir dos anos 1970, no entanto, que sua marca se tornaria definitiva na cultura pop japonesa. Em parceria com a Toei Company, Ishinomori deu vida a franquias que definiriam o tokusatsu moderno. O maior exemplo é Kamen Rider (仮面ライダー, 1971), uma obra que revolucionou o gênero ao trazer um herói solitário, com conflitos internos e uma estética mais sombria.
O sucesso abriu caminho para outras criações igualmente marcantes, como Himitsu Sentai Gorenger (秘密戦隊ゴレンジャー, 1975) e J.A.K.Q. Dengekitai (ジャッカー電撃隊, 1977), que estabeleceram as bases do que hoje conhecemos como Super Sentai. Além disso, surgiram obras como Jinzo Ningen Kikaider (人造人間キカイダー, 1972), Inazuman (イナズマン, 1973) e Kaiketsu Zubat (快傑ズバット, 1977), todas carregando o DNA criativo do autor.
Mesmo fora dos grandes sucessos televisivos, Ishinomori continuou expandindo seu repertório com produções como Robot Keiji (ロボット刑事, 1973), Uchuu Tetsujin Kyodain (宇宙鉄人キョーダイン, 1976) e séries voltadas ao público infantil dentro da Toei Fushigi Comedy Series, como Bishoujo Kamen Poitrine (美少女仮面ポワトリン, 1990). Cada obra reforçava sua capacidade de dialogar com diferentes gerações.


Outro aspecto fundamental de sua trajetória foi a formação de novos talentos. Diversos nomes importantes passaram por sua equipe ou foram influenciados diretamente por seu trabalho, como Go Nagai, além de artistas que ajudaram a expandir ainda mais o alcance do mangá e do tokusatsu nas décadas seguintes.
Shotaro Ishinomori faleceu em 28 de janeiro de 1998, aos 60 anos, deixando um legado incomparável. Seu nome entrou para o Guinness como o artista com o maior número de páginas publicadas na história dos quadrinhos, ultrapassando 128 mil páginas em centenas de títulos. Mais do que números, deixou uma filosofia ao propor uma visão de mangá expandido que defendia que essa forma de arte poderia ser qualquer coisa.
Falar de Ishinomori é falar da base do tokusatsu como conhecemos hoje. Seus heróis, suas narrativas e sua estética continuam sendo revisitados, reinventados e celebrados. Não é exagero dizer que, sem ele, o gênero simplesmente não existiria da forma como o conhecemos.
Confira algumas resenhas em áudio em nosso podcast sobre ele e algumas de suas criações:

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