O sexto episódio de Super Policial do Espaço Gavan Infinity, Phantom Thief Fade Enters, é uma daquelas surpresas que aparecem no meio da temporada e lembram do que essa série realmente é capaz quando coloca o foco nas pessoas certas. Aqui, o protagonismo é de Kiki e Koto, envolvidas em uma história que, por trás da roupagem de “caso da semana” com ladrão fantasma, traz uma das mensagens mais pesadas e sensíveis até agora: uma mãe e uma filha fugindo de um homem abusivo, tentando reconstruir algum tipo de segurança longe da violência que marcou suas vidas.
A trama parte de um encontro aparentemente banal, durante um passeio, e rapidamente revela o peso que essas duas carregam. A série acerta ao tratar a violência doméstica não só pelo ponto de vista da mulher que apanha, mas também da criança que cresce assistindo a isso e internaliza o medo. É justamente esse medo, condensado no Emorgear da filha, que ganha forma e passa a reagir de maneira descontrolada, tornando o conflito mais do que físico: é o trauma se materializando como ameaça concreta. O roteiro não chega a ser sofisticado em termos de simbolismo, mas é direto o bastante para atingir o público e deixar clara a ferida que está sendo mostrada.


Kiki e Koto entram nessa história de forma orgânica, sem parecer “forçadas” para encaixar o elenco fixo. As duas funcionam tão bem que, honestamente, dariam conta do episódio sozinhas. A curiosidade de Kiki, o lado mais pé no chão de Koto e a maneira como elas se posicionam para proteger mãe e filha constroem uma empatia muito rápida com o espectador. O próprio Ladrão Fantasma Fade é um acerto: começa como uma figura ambígua, cercada de truques e estilo, e vai revelando camadas até se aproximar mais de um anti-herói do que de um vilão tradicional. O uso dos Emorgears dentro da dinâmica dele e da garota ajuda a amarrar bem o conceito emocional da série.
Reiji surge mais tarde, praticamente entrando pela porta dos fundos da narrativa, já no meio da confusão. Ele entende rápido o que está acontecendo e cumpre bem seu papel nas cenas de ação, mas a verdade é que sua presença, assim como a de seus aliados e dos mechas, soa muito mais como exigência de fórmula do que como necessidade dramática. A sequência da nave em risco, com a menina dentro, é visualmente interessante, mas a resolução é simples demais para o nível de tensão que propõe. Fica aquele gosto de “resolvemos rápido porque o episódio precisa acabar”, algo que entra em choque com o discurso de que Super Sentai teria sido cancelado por ficar preso a fórmulas narrativas, enquanto Gavan Infinity claramente ainda esbarra nesse mesmo molde.


O desfecho com Fade funcionando quase como um agente de justiça poética, levando as joias do homem que se preocupava mais com objetos do que com a própria família, reforça a crítica ao abusador sem precisar ser panfletário. Ao contrário, a série escolhe mostrar o quanto ele é nojento justamente pelo contraste entre o que ele valoriza e o que a esposa e a filha realmente precisam.
Já o encerramento com mãe e filha conseguindo refúgio, e a ideia de que o “tesouro” mais importante é o sorriso verdadeiro, amarra bem a mensagem central: violência contra a mulher não é assunto para ser ignorado, e a postura correta é se meter, proteger, intervir. Phantom Thief Fade Enters é um episódio profundo, com nuances claras, personagens carismáticos e um coração muito bem definido. Ainda está preso a alguns tiques de fórmula de produções de super-herois do gênero tokusatsu, especialmente na forma como encaixa Reiji e o clímax de mecha, mas, dentro dessas limitações, entrega uma das histórias mais fortes de Gavan Infinity até agora.
Nota: 9/10

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