O décimo segundo episódio de Super Policial Gavan Infinity, Samurai and Ninja, é o primeiro em que Gavan Bushido realmente parece um personagem em evolução, não só uma peça rígida no tabuleiro da série. Depois dos encontros com Reiji e AGI, Setsuna entra numa crise silenciosa sobre algo muito simples e muito humano: “eu, como androide, realmente tenho emoções?”. A partir daí, o episódio abraça uma veia mais cômica, com Bushido tentando, de formas pateticamente sinceras, descobrir como chorar, sem perder de vista o coração dramático da história.


O antagonista da semana se encaixa bem nesse recorte. Em vez de um vilão unidimensional, temos alguém usando Emorgear para manipular sentimentos e extrair lágrimas, o que já é interessante por inverter a lógica usual da série, em que só os heróis exploram os dispositivos para controle emocional. Ver esse uso no lado oposto, e num contexto que mistura seita de “gente que quer chorar” com um esquema questionável de exploração, dá um sabor diferente ao caso. Ao mesmo tempo, Kunai (Gavan Raiya) entra de vez na rotação como uma espécie de “sexto ranger”: sua presença ao lado de Bushido reforça a ideia de um elenco fixo de Gavans, e a interação entre os dois é divertida, com direito à piada recorrente da “tara por paredes” do ninja dimensional.
Onde o episódio mais acerta é na humanização do antagonista e na forma como isso conversa com o dilema de Setsuna. Ao descobrir que o vilão age movido por amor e desespero, tentando salvar a esposa doente, incapaz de beber a água da Terra, a série mostra que esses policiais cósmicos não estão ali apenas para bater e prender, mas também para entender e resolver problemas de forma mais humana. A resolução, com os Gavans não só derrotando a ameaça Emons, mas também garantindo uma fonte de água adequada para o casal, reforça esse olhar mais empático. É um final parcialmente positivo, que reconhece o crime, mas também a dor por trás dele.


Bushido, que no começo da temporada era quase um bloco de gelo, aqui já consegue arrancar boas cenas de comédia sem trair sua rigidez, e suas tentativas frustradas de chorar o aproximam do público. A dinâmica com Kunai ajuda a soltá-lo, e o plano maior de montar um “time” de Gavans começa a ganhar forma de maneira orgânica. Ainda assim, fica aquele desejo de ver, de vez em quando, episódios realmente solo de cada Gavan. O fato de quase sempre haver encontro entre eles tira um pouco da especialidade desses “crossovers”. Mesmo assim, dentro da proposta, Samurai and Ninja entrega um capítulo sólido, simples e com toques humanos muito bem-vindos.
Nota: 8/10

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