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Review: ‘Godzilla: O Maior Monstro da História’ e o caos transformado em lucro

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A pergunta central em Godzilla: O Maior Monstro da História (Godzilla: History’s Greatest Monster) é: como o sistema econômico reagiria ao fim do mundo causado por monstros gigantes? Esta obra representa uma das abordagens mais cínicas e atuais já feitas sobre o Rei dos Monstros.

Publicada originalmente em 13 edições, lançadas entre 2012 e 2013 nos Estados Unidos pela editora IDW, a obra chegou ao Brasil em dois volumes, lançados pela editora Novo Século, por meio do selo Geektopia, em agosto de 2021 e fevereiro de 2024, respectivamente. São edições de capa dura muito bem feitas, com o primeiro número trazendo uma matéria escrita por Maurício Muniz, que resgata o legado do Rei dos Monstros desde sua criação em 1954.

O roteiro de Duane Swierczynski deixa de focar em exércitos ou em cientistas heroicos e nos apresenta a Equipe Matastro, um grupo de ex-soldados mercenários que decide tratar o apocalipse como uma oportunidade de negócio.

A série destaca o guerrilheiro Boxer que, após perder a filha em um ataque anterior de Godzilla, decide organizar uma equipe para destruir todos os monstros gigantes que provocam caos ao redor do mundo. O grupo oferece seus serviços a governos desesperados de vários países para eliminar criaturas gigantescas por um altíssimo preço. Com recompensas que chegam a 7 bilhões de dólares por captura, a humanidade revela seu lado mais sombrio, sendo capaz de privatizar até o fim do mundo.

A crítica social aqui é afiada. Swierczynski explora a ganância de grande parte da sociedade, mostrando Godzilla não somente como uma punição da natureza, mas também como principal motivo para mostrar o pior do comportamento corporativo e do oportunismo político.

O roteiro equilibra bem o desenvolvimento humano com as batalhas, dando à HQ uma narrativa ágil, feita como um filme de ação. O autor mostra muito respeito pela mitologia da Toho, integrando vários monstros clássicos ao longo da história.

Nos desenhos, o trabalho de Simon Gane é um grande diferencial, com seu traço “sujo” e nervoso. O detalhamento das cidades sendo destruídas é impressionante. Para o leitor brasileiro, há o impacto adicional de ver lugares conhecidos de São Paulo, como o Autódromo de Interlagos e o Edifício Copan sob o ataque de Rodan.

É um item indispensável para colecionadores, que homenageia muito bem os setenta anos de Godzilla e prova que, mesmo diante de monstros colossais, o comportamento humano consegue ser igualmente aterrador.

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