Quando descobri S.T.A.R. ainda em sua campanha no Catarse, fui imediatamente apoiar o projeto. Curiosamente, um pequeno desencontro com o criador Lorde Lobo acabou se transformando em um longo e bacana bate papo entre dois fãs do gênero, daquelas conversas típicas que parecem marcar o início de uma amizade. E talvez seja justamente essa a melhor forma de definir a HQ: uma obra construída sobre amizade, superação e paixão pelo tokusatsu. Inspirada claramente nas produções da franquia Super Sentai da Toei e em suas adaptações, S.T.A.R. consegue encontrar sua própria identidade dentro do cenário nacional de quadrinhos.
O título “O Super Sentai de Um Homem Só!” e sua capa extremamente colorida podem levar alguns leitores a imaginar apenas uma aventura explosiva de um herói enfrentando monstros e alienígenas. Mas existe muito mais profundidade nas páginas desta edição intitulada Fator Fênix. A trama começa justamente pelo fim da equipe Patrulheiros Estelares, destruída pelo exército da impiedosa Satandra, deixando apenas um sobrevivente. A partir daí, a HQ trabalha temas como trauma, reconstrução e legado. Sem precisar exagerar nos diálogos, a narrativa consegue transmitir o peso emocional carregado pelo protagonista, enquanto ele tenta reunir os fragmentos físicos e emocionais de sua antiga equipe.



O conceito criado por Lorde Lobo é muito interessante. Construir um Super Sentai já é um desafio, mas desconstruir essa equipe e condensar o simbolismo de todos os heróis em apenas um sobrevivente é uma ideia ousada. O resultado funciona muito bem porque a história entende perfeitamente os elementos que tornaram o gênero tão querido no Brasil: união, sacrifício, esperança e coragem. Existe um sentimento genuíno de homenagem em cada página, algo reforçado inclusive pelo prefácio escrito por Bone Lopes, do canal Resistência Tokusatsu, que descreve exatamente o impacto da obra e sua ligação afetiva com os fãs do gênero.
Visualmente, a HQ também impressiona bastante. A arte e arte final de Francisco Mauriz entrega páginas cheias de dinamismo e impacto visual, principalmente nas cenas de ação. As cores de Alan Emmanuel e Fito Cordeiro ajudam a criar a atmosfera vibrante típica das produções mais conhecidas por aqui do gênero, enquanto o roteiro de Chris Stussi mantém um ritmo direto e envolvente. O trabalho coletivo da equipe aparece claramente no resultado final, mostrando que S.T.A.R. não é apenas uma homenagem nostálgica, mas um projeto profissional e cuidadosamente planejado.
A edição número 1 de S.T.A.R. termina deixando aquela sensação clássica de fim de um episódio ou temporada. A missão foi cumprida, mas ainda existe muito universo para explorar. O mundo apresentado possui potencial para expandir seus personagens, seus antigos membros da equipe e os conflitos envolvendo Satandra. Mais do que uma simples HQ inspirada em tokusatsu, S.T.A.R. demonstra como o gênero continua vivo e relevante nas produções brasileiras independentes. Depois desta primeira edição, fica difícil não criar expectativa pelas próximas aventuras desse improvável e solitário “Super Sentai“.

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