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Review: ‘A Ascensão de Ultraman’ traz uma nova origem ao herói clássico em versão Marvel

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Em 2022, o público brasileiro recebeu A Ascensão de Ultraman, lançamento da Panini que reúne as cinco edições da minissérie The Rise of Ultraman, fruto da parceria entre a Marvel Comics e a Tsuburaya Productions. A proposta aqui não é simplesmente adaptar o herói, mas recontar sua origem para uma nova geração, sem deixar de dialogar com os fãs antigos. E isso carrega um peso considerável, já que Ultraman (ウルトラマ, 1966), criado por Eiji Tsuburaya, é um dos maiores ícones da cultura pop japonesa desde sua estreia em 1966 e o ponto de partida para que o termo tokusatsu se tornasse um gênero.

A história começa justamente conectando passado e presente, utilizando o ano de 1966 como ponto de partida, em referência direta à série original. A trama então avança para os dias atuais, acompanhando uma versão mais jovem e impulsiva de Shin Hayata, que aqui ainda está distante do herói clássico que muitos conhecem. Ao seu redor, temos a atuação da USP, uma releitura da tradicional Patrulha Científica, responsável por lidar com ameaças kaiju de forma secreta. A narrativa constrói um clima de mistério ao redor de eventos passados e decisões que continuam impactando o presente.

Os roteiristas Kyle Higgins e Mat Groom trabalham bem a ideia de modernizar a mitologia, trazendo conceitos como conspirações governamentais, uso de tecnologia alienígena e até noções de multiverso. Ao mesmo tempo, mantêm elementos clássicos, como a fusão entre humano e Ultra, a presença de monstros icônicos como Bemular e referências diretas à série original. Essa mistura funciona como uma ponte entre gerações, ainda que em alguns momentos o ritmo acelerado e o excesso de informações possam causar certa confusão, principalmente para quem está tendo o primeiro contato com o universo.

Um dos pontos mais interessantes está na construção de Shin Hayata. Diferente da versão tradicional, aqui ele é imaturo, falho e precisa evoluir para entender o peso de se tornar o hospedeiro de Ultraman. Essa abordagem dá mais profundidade ao personagem e explora algo pouco trabalhado em outras versões, que é o conflito entre a vida humana e a responsabilidade de carregar um poder tão grande. A relação entre Hayata e o Ultra também ganha destaque, mostrando que a fusão vai muito além de uma simples transformação. A HQ ainda propõe uma mudança interessante ao posicionar Dan Moroboshi, o Ultraseven, como uma espécie de antecessor dentro dessa mitologia, criando uma nova camada de conexão entre os personagens e ampliando o legado da franquia dentro dessa releitura.

Visualmente, o trabalho de Francesco Manna entrega uma arte sólida, com boas cenas de ação e um equilíbrio interessante entre o estilo ocidental e referências ao visual japonês. As capas variantes, assinadas por nomes como Alex Ross, ajudam a valorizar ainda mais a obra. Ainda assim, em alguns momentos, o excesso de balões de diálogo pode pesar na leitura e diminuir o impacto de certas cenas que pediriam mais fluidez.

A edição brasileira também merece destaque pelos extras. Além da história principal, há conteúdos como Kaiju Steps, com um tom mais leve e infantil, e uma adaptação de Ultra Q (ウルトラQ , 1966), série que precedeu Ultraman, funcionando como uma homenagem direta às origens da franquia. O material ainda inclui um conteúdo sobre Eiji Tsuburaya, reforçando a importância histórica do criador e do gênero.

No geral, A Ascensão de Ultraman funciona como uma porta de entrada interessante para novos leitores e uma releitura curiosa para fãs antigos. Pode não ter o mesmo impacto de outras obras mais consolidadas da franquia, mas cumpre bem seu papel ao expandir o universo Ultra para os quadrinhos ocidentais. É um projeto que claramente pensa no futuro, estabelecendo bases para continuações e até crossovers, mostrando que o legado de Ultraman ainda tem muito espaço para evoluir.

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