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Review: Episódio 33 de ‘Kamen Rider Zeztz’ mergulha no poder dos sonhos e prepara o despertar do ‘ExDream’

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O episódio 33 de Kamen Rider Zeztz entrega mais momentos complexos, desta vez ao colocar Baku completamente no limite. Sem o Driver funcionando e praticamente sem recursos, o protagonista continua tentando proteger as pessoas mesmo sabendo que não tem chance real contra os Nightmares. O episódio acerta ao mostrar que o heroísmo dele não depende da transformação. A brutalidade da luta, principalmente quando ele é atingido no estômago, reforça o quanto a série está disposta a levar o personagem até o fundo do poço antes de apresentar sua evolução final.

Enquanto isso, Sieg continua se consolidando como um vilão excelente. A forma como ele manipula Nem e transforma os fãs dela em peças de um jogo macabro deixa tudo ainda mais desconfortável. Existe um sadismo quase teatral em suas ações, como se ele realmente enxergasse sofrimento como entretenimento. O momento em que Nem recebe a carta de Baku prometendo salvá-la funciona muito bem emocionalmente, justamente porque a cena seguinte destrói essa esperança quando as palavras desaparecem após o aparente sacrifício do protagonista.

A parte mais forte do episódio está no subconsciente de Baku. Preso naquele espaço entre vida e morte, ele passa anos tentando reconstruir o Driver enquanto enfrenta dúvidas, exaustão e vozes dizendo para desistir. A direção trabalha muito bem a deterioração daquele ambiente, com a sala ficando cada vez mais vazia e sufocante. Quando os Capsems finalmente começam a reaparecer, o episódio transforma aquele processo em algo simbólico, mostrando que a força de Baku vem justamente da recusa em abandonar seus sonhos.

Ainda assim, existe um elemento que continua me incomodando até hoje: os upgrades ligados a sonhos premonitórios. Aqui, mesmo acontecendo de uma forma um pouco diferente, isso voltou a soar conveniente demais. Claro, estamos falando de uma série infantojuvenil com foco na venda de brinquedos, mas Kamen Rider Zeztz também se vende como uma aposta global que tenta amarrar conceitos e regras ao longo da narrativa. Talvez eu ainda não tenha entendido completamente essa lógica ou talvez os próximos episódios expliquem melhor tudo isso.

A ideia do tempo passar de maneira diferente nos sonhos funciona dentro da proposta da temporada e até combina com os temas psicológicos da série. O problema é que o episódio leva isso para um nível muito extremo ao mostrar Baku passando décadas reconstruindo o Driver enquanto apenas instantes se passam na realidade. Em alguns momentos parece que a série está brincando com conceitos de viagem temporal dignos de Doctor Who. Funciona emocionalmente e visualmente, mas a lógica acaba aparecendo apenas quando o roteiro precisa justificar uma nova forma. Isso fica ainda mais estranho porque em outros episódios Baku dormiu por muito mais tempo e os sonhos pareceram durar apenas alguns minutos

Outro destaque importante é o núcleo secundário. Minami, Nasuka e Fujimi funcionam muito bem juntos durante o caos. O desespero de Minami ao acreditar que perdeu o irmão é facilmente um dos momentos mais dolorosos do episódio. Já a Madame ganha cenas bastante interessantes ao buscar o poder de Phantom para entrar novamente no Mundo dos Sonhos. Isso ajuda a expandir a mitologia da série e deixa pistas importantes sobre os próximos conflitos envolvendo Sieg e Nem.

No fim, o episódio 33 funciona como uma preparação extremamente eficiente para a chegada da forma ExDream. A série entende que uma evolução precisa representar algo maior do que apenas um novo visual. Toda a construção emocional envolvendo sofrimento, perseverança e esperança faz a transformação final parecer merecida. Mesmo com algumas conveniências envolvendo a lógica dos sonhos, Kamen Rider Zeztz continua mostrando uma capacidade rara de equilibrar espetáculo, drama psicológico e desenvolvimento de personagens.

Nota: 8,5/10

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