O oitavo episódio de Super Policial do Espaço Gavan Infinity, The Shooter with Magic Bullets, lançado em 5 de abril de 2026, é daqueles que fazem a série render mais do que o formato “caso da semana” sugeriria à primeira vista. Aqui, o foco volta para o universo Λ8018, o de Gavan Bushido, em uma trama de atirador misterioso que coloca Setsuna no centro, mas sem isolá-lo: o episódio acerta justamente por construir uma química cada vez mais forte entre ele e AGI, enquanto Reiji divide uma linha de investigação paralela com Rui Amou.
A investigação é bem amarrada desde o conceito da bala “mágica” até sua ligação direta com o passado de Setsuna. A lembrança de sua vida como 942, ao lado do sniper 999 em uma guerra interestelar, adiciona a camada que faltava ao personagem: ele continua pouco expressivo na superfície, mas, a partir daqui, passa a ser genuinamente interessante, porque suas decisões dialogam com esse passado. O roteiro usa esse laço de forma simples, porém eficiente, para conectar o atirador atual às cicatrizes emocionais de Bushido.


O grande trunfo, porém, é como a série trabalha as duplas. Setsuna e AGI formam uma parceria improvável e ótima de assistir: ele, o androide rígido que “não entende emoções”; ela, uma inteligência artificial que emana carisma em toda cena, seja analisando evidências, seja reclamando de fome. A investigação conduzida pelos dois tem ritmo de procedural policial, com direito a dedução em campo e pequenas quebras de expectativa. Em paralelo, Reiji e Rui seguram a outra ponta da trama no QG, reforçando o lado mais tenso e hierárquico da corporação. Esse jogo de duas frentes deixa o episódio mais dinâmico e ajuda a fixar a identidade de cada Gavan: com Bushido, a pegada é mais policial/investigativa; com Luminous, como já se viu, o foco tende ao forense. É um detalhe, mas dá personalidade à estrutura da série.
Também funciona muito bem o modo como o roteiro continua o fio de Death Gavan sem abandonar a “aventura da semana”. Há pequenas conexões com o que foi estabelecido no episódio anterior, o que reforça a sensação de serialização em vez de algo totalmente episódico. As cenas de ação, ainda que mais contidas desta vez, mantêm a qualidade: o breve confronto entre Gavan Infinity e Gavan Bushido é um bom exemplo de como usar o choque entre aliados sem alongar demais o drama, aproveitando revelações e reviravoltas ligadas ao passado de Setsuna. O antagonista em si é menos sobre “vilania grandiosa” e mais sobre como se relaciona com o protagonista, o que ajuda no crescimento do personagem.


No fim, The Shooter with Magic Bullets é um episódio com excelente dinâmica, investiga bem seus temas e sabe dosar o tempo de tela entre ação, mistério e desenvolvimento de relação. Não resolve todos os problemas de carisma de Bushido, mas dá um passo claro para transformá-lo em alguém mais interessante de acompanhar, muito graças à parceria com AGI e ao cuidado em ligar o caso às suas feridas antigas.
Nota: 9/10

Você precisa fazer login para comentar.