B-Ranger – Volume 1 é uma declaração direta de amor por séries do gênero tokusatsu exibidas no Brasil, construída com base sólida nas estruturas que consagraram a franquia Super Sentai. A narrativa deixa clara sua inspiração nos primeiros episódios dessas séries, especialmente nas produções da década de 1980, como Esquadrão Relâmpago Changeman (電撃戦隊チェンジマン, 1985), onde tudo precisava ser apresentado de forma rápida e eficiente, origem, equipe e ameaça central.
A história segue exatamente essa linha. Após sobreviverem a um acidente, cinco jovens despertam em um laboratório misterioso e descobrem que receberam DNA de insetos da Terra, como gafanhoto, louva-a-deus, vespa, abelha e borboleta. A partir disso, ganham habilidades extraordinárias e passam a enfrentar o Império Científico Baraga, uma força que domina planetas através de experimentos genéticos. Assim nasce o Esquadrão Inseto B-Ranger.


O ritmo acelerado funciona bem dentro dessa proposta. O final deixa aquela sensação de que faltou algo, mas isso não é um problema. É uma característica herdada diretamente dessas séries, onde elementos importantes, como o robô gigante, muitas vezes só aparecem no segundo episódio. Aqui, essa ausência reforça que estamos diante de um primeiro volume que ainda está construindo seu universo.
As influências não se limitam ao Super Sentai. Há uma presença muito clara da franquia Kamen Rider, principalmente no uso de insetos como base dos poderes e na ideia de heróis modificados. Esse conceito até aproxima a obra de títulos como Juukou B-Fighter (重甲ビーファイター, 1995) e Ninpuu Sentai Hurricaneger (忍風戦隊ハリケンジャー, 2002), mas o visual é referência direta a Kamen Rider Black (仮面ライダーBLACK, 1987), perceptível principalmente nas máscaras escuras e no conceito dos personagens.
Curiosamente, o uso do tema de insetos em equipe dialoga com ideias que só ganhariam destaque em Ohsama Sentai King-Ohger (王様戦隊キングオージャー, 2013), reforçando como a obra se conecta com tendências do gênero.



A arte é outro destaque importante. O traço de Daniel Ramos carrega forte influência de Shingo Araki, conhecido por seu trabalho no anime Os Cavaleiros do Zodíaco. Isso fica evidente já nas primeiras páginas, especialmente na apresentação do vilão Imperador Ruberus.
Daniel Ramos, também conhecido pelo nickname Shaider dentro da comunidade tokusatsu, tem uma trajetória ligada a fóruns como Tokusen, Toku Sekai e Toku Brasil. Sua vivência durante a era da Rede Manchete é refletida diretamente na obra, tanto na forma como a história é conduzida quanto nas referências escolhidas.
Produzida de forma totalmente independente, a HQ surgiu através de financiamento coletivo no Catarse e hoje pode ser encontrada na Amazon, contando também com diversas páginas extras dedicadas a artes e informações sobre os personagens e o próprio gênero. Como apoiador do projeto, fica evidente o cuidado e a paixão envolvidos. B-Ranger não é apenas uma homenagem, mas uma obra que entende profundamente as franquias que a inspirou e consegue traduzir isso em uma produção nacional consistente, deixando no final uma expectativa genuína pelo que ainda está por vir.
Confira a participação do autor em nossa resenha sobre quadrinhos nacionais inspirados em tokusatsu em nosso podcast:
O termo tokusatsu vem de “tokushu kouka satsuei”, que significa “filmagem com efeitos especiais”. Por ser um termo japonês, cada país vai escrever “efeitos especiais” de acordo com sua língua. A palavra tokusatsu também se tornou sinônimo de um gênero de produções, e, por ser um gênero japonês, as produções do Japão que seguem essa linha são consideradas tokusatsu. Se uma produção fora do Japão seguir as premissas do gênero tokusatsu como modelo e inspiração, deixando claro que esse é o objetivo, então usa-se o termo tokusatsu seguido da nacionalidade daquela produção. Exemplo: tokusatsu brasileiro, tokusatsu chinês, etc.

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