Como já discutimos em outros reviews de produções nacionais, muitos fãs de tokusatsu buscam ir além do consumo e passam a criar suas próprias histórias. É nesse contexto que surge o trabalho de Eder Duarte Lima, mineiro de Belo Horizonte, nascido em 1979, com formação acadêmica ampla e obras anteriores voltadas ao coaching. Fã de anime, mangá e tokusatsu, ele levou essa paixão para a ficção e um dos seus livros é O Sexto Changeman, inspirado em Esquadrão Relâmpago Changeman (電撃戦隊チェンジマン, 1985).
A história se passa décadas após os eventos da série, e acompanha Soma Takeo, um ex-pugilista que, após ser irradiado por uma força terrena, é recrutado por Hades para enfrentar uma ameaça alienígena que espalha um vírus mortal. Ao assumir a identidade de Change Cerbero, ele se torna uma espécie de sexto membro dentro desse universo.
A proposta mistura ficção científica com mitologia grega, trazendo referências que lembram Os Cavaleiros do Zodíaco. A ideia de expandir o universo clássico com novos elementos é interessante e demonstra criatividade, além de evidenciar o carinho do autor pelo gênero.


No entanto, o resultado não acompanha o potencial. A narrativa é construída quase exclusivamente por diálogos e imagens, sem o suporte de descrições e contextualização. Falta desenvolvimento entre as cenas, o que dificulta a compreensão e torna a leitura muito ruim.
Além disso, o uso de imagens modificadas, incluindo referências a Kazuo Niibori e elementos inspirados em Cybercop, Os Policiais do Futuro (電脳警察サイバーコップ, 1988), levanta dúvidas sobre autorização e pode causar estranhamento.
No fim, o Sexto Changeman traz uma ideia interessante, mas prejudicada pela execução. Para colecionadores, pode ter valor como curiosidade, mas como leitura, dificilmente se sustenta.

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