A trilogia conhecida internacionalmente como The Super Riders, chamada originalmente de Shǎndiàn Qíshì (閃電騎士), expressão que significa “Cavaleiro Relâmpago”, foi produzida pela Tong Hsing Company Limited, de Taiwan, em colaboração com a Toei Company. Os filmes adaptam produções da franquia Kamen Rider, combinando cenas de ação das séries e dos longas-metragens japoneses com sequências inéditas gravadas em Taiwan, incluindo a participação de atores locais e cenas de batalha produzidas especialmente para essas versões.
O primeiro filme da trilogia, The Super Rider V3 (閃電騎士V3, 1975), estreou em 11 de novembro de 1975. A produção utiliza cenas dos dois primeiros episódios de Kamen Rider V3 (仮面ライダーV3, 1973) e do longa-metragem Kamen Rider V3 vs. Destron Mutants (仮面ライダーV3対デストロン怪人, 1973), mas também apresenta sequências originais filmadas em Taiwan. Entre as principais diferenças em relação à obra japonesa está a adaptação do personagem Riderman, que aparece originalmente no episódio 43 de Kamen Rider V3 e foi transformado em uma personagem feminina, a Super Rider nº 4, chamada Tsai Lei-lei. A inclusão de uma heroína pode ter sido inspirada em Denpa Ningen Tackle, personagem que participava de Kamen Rider Stronger (仮面ライダーストロンガー, 1975), série que estava chegando ao fim de sua exibição no Japão naquele ano. Na época, havia a intenção de encerrar definitivamente a franquia Kamen Rider após o término de Stronger, em dezembro de 1975.


A participação da Toei Company foi além da cessão de imagens das produções japonesas. A empresa enviou Isao Yagi, da EX-Pro, responsável pela confecção dos trajes dos Riders originais, além dos profissionais Masaki Tsukada, diretor do estúdio Ikuta que trabalhou em episódios da série original de 1971 até os primeiros episódios de Kamen Rider Stronger, e Osamu Kaneda, da Japan Action Club (JAC), para supervisionar e colaborar com a equipe taiwanesa. A Toei também cedeu alguns trajes utilizados em apresentações ao vivo realizadas em parques de diversões. Por esse motivo, as cenas inéditas apresentam diferenças visuais em relação às produções japonesas. Em algumas sequências, por exemplo, os Kamen Riders nº 1 (Ichigo) e nº 2 (Nigo) aparecem com cachecóis amarelos, semelhantes aos utilizados pelos Shocker Riders, em vez dos tradicionais cachecóis vermelhos. O Kamen Rider nº 2 também aparece com uma versão antiga do capacete combinada com o traje de uma fase posterior.
Na história de The Super Rider V3, o Grande Líder da Organização Satan cria uma nova organização criminosa, a Desmo Dragon, que planeja destruir o mundo sob o comando do General Escorpião. Chen Ying-Jie, um homem que testemunha um ataque da organização, passa a ser perseguido pelo grupo. Depois que seus pais são assassinados e ele próprio fica gravemente ferido, os Super Riders nº 1 e nº 2 o salvam e o transformam em seu novo integrante, o Super Rider V3. Dotado de poderes sobre-humanos, Chen parte em busca de vingança contra a organização. A trama também apresenta Tsai Lei-lei, a quarta integrante da equipe.
O filme foi lançado em VHS em Taiwan durante a década de 1980 e também chegou a mercados internacionais. Na Alemanha, recebeu títulos como Frankenstein’s Kung-Fu Monster e Kung Fu Riders, além de ter sido exibido em países do Oriente Médio, como Líbano e Arábia Saudita. Em 2019, a produção ganhou uma edição em Blu-ray.
Em 11 de fevereiro de 1976, foi lançado o segundo filme da trilogia, The Five of Super Rider (閃電五騎士, 1976). Seguindo a fórmula do longa anterior, a produção combina cenas de obras japonesas com sequências inéditas realizadas em Taiwan. Desta vez, foram utilizadas imagens dos primeiros episódios de Kamen Rider X (仮面ライダーX, 1974) e do filme Five Riders vs. King Dark (五人ライダー対キングダーク, 1974).


A história apresenta a organização MAJIN G.O.D., ainda mais poderosa do que suas antecessoras, que planeja controlar o abastecimento de água potável para demonstrar sua capacidade de destruir a humanidade. Seus integrantes também atacam o Dr. Guo Dong e seu filho, Qian Da-Long, que acaba sendo morto pela organização. Na tentativa de trazê-lo de volta à vida, Guo Dong transfere sua própria energia vital para o filho, transformando-o no Super Rider X. Após conhecer os demais integrantes da equipe, Qian se une aos Super Riders para enfrentar e destruir os líderes da MAJIN G.O.D.
No desfecho, a contraparte de King Dark, o antagonista original de Kamen Rider X, aparece em uma versão gigante com design próprio, cuja aparência lembra Ankoku Daishogun, o Grande General das Trevas, do anime Great Mazinger (グレートマジンガー, 1974). O diretor Itaru Orita, que também trabalhou na série original de Kamen Rider, recebeu créditos pela direção dessa adaptação. Embora o filme tenha sido lançado alguns meses depois do primeiro, as duas produções foram gravadas praticamente ao mesmo tempo.
The Five of Super Rider também recebeu lançamentos internacionais em países como Tailândia, Alemanha, Israel e México. No Brasil, o filme foi exibido em 1979, no antigo Cine Art Palácio Méier, localizado na Rua Silva Rabelo, 20, no Rio de Janeiro, com o título de Os 5 Super-Homens. Fundado como Cine Eskye Méier, o cinema funcionou durante 43 anos e foi o último cinema de rua da região a fechar as portas. Atualmente, o local abriga um templo religioso. Essa exibição tem um significado especial para os fãs brasileiros, pois é apontada como a primeira chegada de uma produção relacionada a Kamen Rider ao país, muito antes da estreia de Kamen Rider BLACK (仮面ライダーBLACK, 1987) na Rede Manchete, em 1991.
A terceira e última produção da saga, The Super Rider (閃電騎士大戰地獄軍團, 1976), estreou em Taiwan em 17 de julho de 1976. Diferentemente dos filmes anteriores, a produção utiliza cenas da série original Kamen Rider (仮面ライダー, 1971) e dos longas-metragens Kamen Rider vs. Shocker (仮面ライダー対ショッカー, 1972) e Kamen Rider vs. Jigoku Taishi (仮面ライダー対じごく大使, 1972). Apesar da reutilização de imagens, o filme também apresenta monstros e sequências de ação produzidos especialmente para a versão taiwanesa.


A trama mostra o surgimento do Kamen Rider nº 2, sequestrado e transformado pela Organização Satan. Depois de escapar, ele conhece o Kamen Rider nº 1 e passa a lutar ao seu lado contra a organização criminosa. O confronto culmina na batalha contra o Embaixador do Inferno e a Rainha das Mil Faces, monstro criado especialmente para essa produção.
Apesar de ter sido o último filme lançado, The Super Rider funciona como uma prequela dos dois longas anteriores, pois apresenta as origens dos dois primeiros Riders e da Organização Satan. A produção também ganhou distribuição internacional. No Reino Unido, foi lançada com o título Super Rider Against the Devils, enquanto na Alemanha recebeu o nome Der Krieg Der Infras, que significa “A Guerra dos Infras”. O título alemão fazia referência ao filme de Hong Kong The Super Inframan (中國超人, 1975), outra produção inspirada no tokusatsu japonês, embora apresentasse uma história original. O longa também contou com a participação de profissionais da EX-Pro, mas esse é um assunto para outro artigo.
Um detalhe interessante da trilogia está na trilha sonora. As músicas utilizadas nos três filmes são regravações, em mandarim, dos temas musicais das respectivas produções japonesas que serviram de base para as adaptações. Dessa forma, apesar das mudanças na montagem, nas histórias e nos personagens, os longas taiwaneses preservaram parte da identidade musical das obras originais.


A trilogia The Super Riders representa um capítulo pouco conhecido da história de Kamen Rider. Além de demonstrar como a franquia foi adaptada para outros mercados ainda nos anos 1970, os filmes estabeleceram uma conexão entre a produção japonesa e a indústria audiovisual de Taiwan. Para o Brasil, The Five of Super Rider guarda ainda uma importância histórica particular por ter levado os heróis da franquia às telas brasileiras mais de uma década antes de sua estreia na televisão nacional.

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